A estreia da primeira parte da “Trilogia dramática da terra espanhola”, quase um ano depois da data prevista para março de 2020, acontece na quarta-feira, na véspera de um novo e anunciado confinamento, para continuar depois a ser transmitida em streaming, diariamente, através da página do Teatro do Bairro, no Facebook, disse o encenador à agência Lusa.

“Yerma” e “A Destruição de Sodoma” são as duas primeiras peças de Federico García Lorca, da “Trilogia dramática da terra espanhola”, que se estreiam respetivamente no Teatro do Bairro e na Galeria Graça Brandão, abrindo um percurso que culminará, em fevereiro, no Teatro S. Luiz, também em Lisboa, com a estreia de outra obra-chave do dramaturgo andaluz, “Bodas de Sangue”.

Numa peça em que o público é chamado à ação, já que antes de assistir a “Yerma” terá de passar pela galeria Graça Brandão, vizinha do teatro, onde é representada “A destruição de Sodoma”, em jeito de instalação e com uma forte componente plástica, António Pires sublinha que, neste projeto, mais do que a própria narrativa, interessou-lhe “dar ênfase à poesia de Lorca”, patente nas falas das personagens.

“É por isso que ela está assim tão contida [a narrativa] e as palavras surgem”, acrescentou António Pires, sublinhando que gosta “muito mais das imagens que lhe sugerem as frases e as palavras”. “Ou seja, a construção do texto, quer da 'Yerma' quer de 'Bodas de Sangue'", a que se junta "A Destruição de Sodoma", obra inacabada do dramaturgo.

"O que fiz", prosseguiu António Pires, "foi ir buscar o que eu achava que era comum às duas e, naquele bocado que li da poesia dele, conseguir ampliar um bocadinho, instalar e contaminar com as artes plásticas uma ideia que eu tenho do Lorca".

O encenador refere-se a "este Lorca da Andaluzia, do Romanceiro, mas muito do andaluz e de Granada, porque muitos daqueles personagens estão muito ligados à natureza, ao vento, à lua”.

E são essas imagens que estão contidas nas peças e que vão contando a história ao público, juntamente com o dispositivo cénico, que acaba por ficar mais visível.

“Pensei isto muito para fazer em sequência depois com o S. Luiz”, acrescentou o encenador, sublinhando que as personagens que aparecem em “Yerma” aparecerão depois, “com pequeninas diferenças”, em “Bodas de Sangue”.

“É um jogo teatral”, já que “agarrei no caráter das personagens e arrastei-as para os vários espetáculos, porque isso acontece muito no Lorca”, explicou.

“Isso sente-se. São aquelas mesmas pessoas”, acrescentou António Pires.

A interpretar “Yerma” e a “A Destruição de Sodoma” estão Alexandra Rosa, Carolina Campanela, Carolina Serrão, Francisco Vistas, Hugo Mestre Amaro, João Barbosa, João Maria, Marina Albuquerque, Mariana Branco, Sofia Marques, Rafael Fonseca e Rita Durão.

A tradução de “Yerma” é de Orlando Vitorino e Azinhal Abelho, a de “A destruição de Sodoma”, de Luís Lima Barreto e, a de “Bodas de Sangue”, de Cecília Meireles.

Com música de Paulo Abelho e José Avelino, a cenografia de “Yerma” é de João Nunes e IñakiZoilo e, a de “A destruição de Sodoma”, de João Mendes Ribeiro.

Já “Bodas de Sangue”, com estreia prevista para 10 de fevereiro Teatro no S. Luiz, tem cenografia de Manuel Aires Mateus e Sia Arquitetura.

Os figurinos são de Luís Mesquita, o desenho de luz, de Rui Seabra, o desenho de som, de Paulo Abelho, e, o movimento, de Paula Careto.

“Yerma” e “A destruição de Sodoma” estariam em cena no Teatro do Bairro e na Galeria Graça Brandão, a partir de quarta-feira, até 7 de fevereiro, mas será transmitida em streaming, no Facebook.

Mantém-se a expectativa de subida a cena das “Bodas de Sangue”, no S. Luiz, de 10 a 21 de fevereiro.

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