"Fladu Fla" é o primeiro álbum dos Fogo Fogo, quinteto português, lusófono, nascido na Casa Independente, em Lisboa, onde protagonizou concertos mensais a tocar funaná e a homenagear artistas de paragens cabo-verdianas.

"Isso construiu a nossa identidade. A transição para os originais foi com base nessa matriz. E nós acrescentámos a nossa pitada individual: Isto tem muito dub, reggae, rock, rock psicadélico, rock progressivo. É um funaná com essas referências", descreveu David Pessoa, que canta em português e em crioulo.

Aliás, o título do álbum remete também para essa ideia de um passo adiante: "'Fladu fla' é o 'diz que disse'. Está na raiz da expressão 'Quem conta um conto acrescenta um ponto'. E isso tem a ver com [o facto de] nós contarmos um conto, descrevermos os nossos temas em funaná, e acrescentarmos a nossas referências".

Para traçar a identidade dos Fogo Fogo em "Fladu Fla" é preciso estar atento à capa do álbum, desenhada por Vhils. Nela estão retratados outros nomes como José Afonso, José Mário Branco, Tim Maia e Lee 'Scratch' Perry. Ao centro está o líder independentista e anticolonialista Amílcar Cabral, da Guiné-Bissau.

"É um conjunto de referências políticas, sociais, artísticas, musicais e espelham muito o que está no conteúdo das canções do disco: desde utilizarmos o funaná para falar de amor, injustiças. Pomos o dedo na ferida em alguns assuntos que infelizmente continuam a ser tema de conversa e não vão deixar de ser tão cedo", disse.

David Pessoa enumera: "Injustiças sociais, desigualdades humanas, racismo, liberdades, qualquer tipo de liberdade". "Queremos assumir isso na nossa música e a capa espelha um bocadinho o que é o nosso disco".

O músico revelou ainda que "Fladu Fla" estava pronto para sair umas semanas antes da pandemia, em março de 2020.

Por causa do confinamento, da paralisação da atividade cultural, dos sucessivos cancelamentos e adiamentos de espetáculos, os Fogo Fogo foram reagendando o lançamento do álbum até agora.

Isto porque para os Fogo Fogo, o lançamento do álbum era o pretexto para o apresentarem ao vivo, território onde o funaná ganha dimensão e convida as pessoas a dançar. E isso tornou-se difícil, quase impossível, em contexto de pandemia.

"Dentro de uma classe que esteve limitada, nós fomos uma banda que não pode tocar", lamentou, acrescentando: "2020 deveria ser o nosso melhor ano, tínhamos muitas datas pela Europa - Suíça, Luxemburgo, Alemanha, França - e em Portugal teríamos vários festivais".

Muitas das datas foram reagendadas para 2022. Este ano, os Fogo Fogo só deram dois concertos e têm previstos outros três, em outubro, para apresentar "Fladu Fla", em Lisboa e no Porto.

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