O livro vai ser lançado naquele centro de arte, localizado na Ribeira Grande, em São Miguel, numa cerimónia presidida pela secretária da Cultura, Ciência e Transição Digital do Governo dos Açores, Susete Amaro, e que vai contar com os “testemunhos cúmplices” de Igor Espínola de França, Paula Mota e Victor dos Reis.

Em declarações à agência Lusa, o arquiteto e museólogo Igor Espínola de Franca enalteceu a importância da obra de Maria José Cavaco para a arte contemporânea em Portugal.

“Maria José Cavaco era uma das artistas mais importantes da sua geração. Não me estou a referir apenas à região, mas a nível nacional”, afirmou.

“Amigo de longa data” da pintora, Espínola França realçou que Maria José Cavaco contribuiu para “afirmar linguagens novas e contemporâneas” numa “sociedade periférica e tradicionalmente conservadora”.

“Era muito rigorosa e muito reflexiva. Ela refletia muito sobre aquilo que fazia. Ela fazia uma grande autocrítica e era uma pessoa de uma grande delicadeza, muito elegante, muito educada, muito bem formada. Quer como artista, quer como ser humano”, assinalou.

Igor Espínola França, que é coordenador da Educação e Cultura no município açoriano de Lagoa, revelou que a pintora estava a trabalhar num mural para os Paços do Concelho daquela câmara, uma obra, que “infelizmente, não conseguiu acabar”.

Em comunicado de imprensa, o Centro de Artes Contemporâneas dos Açores considera que o livro que vai ser lançado "é certamente a obra mais completa sobre o trabalho” da artista, porque, “além de documentar visualmente” a última exposição na instituição, “possui ensaios” do professor universitário Victor dos Reis e da historiadora Maria do Mar Fazenda.

No livro vai constar ainda “uma longa conversa entre Maria José Cavaco e João Mourão”, diretor do Arquipélago, que foi curador de uma exposição sobre a artista.

A cerimónia, com início às 16:00, vai servir também para assinalar a aquisição da obra 'Cem Desenhos Vermelhos' para a coleção do Arquipélago e a doação (feita ainda em vida por Maria José Cavaco) da peça 'História de Uma Princesa'.

“Estas duas peças de grandes dimensões enriquecem, assim, o núcleo de obras da artista que o Arquipélago possui na sua coleção e que irá permitir manter o legado da artista”, destaca o centro de arte.

Maria José Cavaco nasceu em Ponta Delgada em 1967, licenciou-se em Pintura pela Universidade de Lisboa em 1990 e concluiu o Doutoramento em Arquitetura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos, no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), em 2017.

Aquando da sua morte, foi considerada pelo Governo Regional “uma das mais relevantes artistas plásticas dos Açores”.

A obra de Maria José Cavaco está presente em várias coleções públicas e privadas, como na Presidência do Governo Regional, no Museu Carlos Machado e no Arquipélago – Centro de Arte Contemporânea dos Açores.

Em 2016, a artista recebeu o Prémio de Pintura “António Dacosta”.

Em 2019, realizou uma exposição no Convento de São Francisco, no concelho açoriano da Lagoa, e, em 2018, promoveu exposições na Galeria Fonseca Macedo e na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Ponta Delgada e Lisboa, respetivamente.

De julho a novembro de 2021, o Centro de Arte Contemporânea dos Açores realizou uma exposição dedicada a Maria José Cavaco, intitulada “Lugares de Fratura”.

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