Com curadoria de Delfim Sardo, esta mostra, inserida no programa Lisboa Capital Verde, acompanha de perto os vários momentos do percurso da artista, reunindo trabalhos que produziu na Alemanha, no Chile, no Brasil, no Reino Unido e na Bélgica.

A exposição reúne peças consideradas fundamentais no percurso da artista, como é o caso da instalação que realizou no Centro Cultural de Belém, em 2005, composta por uma enorme árvore que ostentava um processo de enxertia, e um conjunto de peças inéditas.

Gabriela Albergaria, que vive e trabalha em Bruxelas, tem-se debruçado, desde a década de 1990, sobre as relações de aculturação da paisagem e da natureza, a partir dos processos migratórios e da globalização iniciada no século XV.

As múltiplas tipologias que utiliza – escultura, instalação, fotografia, desenho – o registo das transformações da paisagem pela ação humana, a modificação dos ecossistemas a partir das importações de espécies vegetais e a história da domesticação da natureza, presente na construção dos jardins botânicos no século XVIII, têm vindo a afirmar o seu corpo de trabalho.

A representação da natureza é sempre orientada por um olhar que revela os processos históricos e percetivos da aculturação do natural e da sua apropriação, descreve a Culturgest, no texto de apresentação da mostra.

Nascida em Vale de Cambra, em 1965, Gabriela Albergaria expõe regularmente em todo o mundo desde 1999, num trabalho que envolve essencialmente o território da natureza: "Uma natureza manipulada, plantada, transportada, estabelecida em hierarquia, catalogada, estudada, sentida e renomeada através da exploração contínua de jardins em fotografia, desenho e escultura", acrescenta a nota de apresentação.

Nas obras, os jardins são percebidos como "construções elaboradas, sistemas de representação e mecanismos descritivos que sintetizam um conjunto de crenças fictícias que são usadas para representar o mundo natural", e são também "ambientes dedicados aos processos de lazer e estudo, culturais e sociais que produzem uma compreensão histórica do que é o conhecimento e o prazer".

De uma forma geral, as imagens de jardins e espécies de plantas empregadas pela artista são usadas como dispositivos para revelar processos de mudança cultural através dos quais se produzem visões da natureza.

Anteriormente, entre outras exposições, realizou as individuais "Endless infinity", no Museu Nacional Grão Vasco (Viseu, 2017), "Ah, Finalmente, Natureza", no Fórum Eugénio de Almeida (Évora, 2015), "Terra/Território", no Consulado Geral de Portugal em São Paulo (2015), "Two Trees in Balance", Socrates Sculpture Park (Nova Iorque, 2015), "Não há coisa como a natureza", Hacienda La Trinidad Parque Cultural (Caracas, 2013) e "Invertir la Posición", Galeria Wu (Lima, 2012).

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