No manifesto “Açores, Cultura e Futuro”, hoje divulgado à agência Lusa, os dirigentes da Associação Cultural Cães do Mar, da Associação Cultural Paralelo 38, do Grupo de Teatro Alpendre e do Estúdio 13 – Espaço de Indústrias Criativas assinalaram a necessidade da “criação e ou manutenção de estruturas profissionais de artes performativas” nos Açores.

“Sentimos que é absolutamente imperativo o apoio ativo à criação de novas estruturas profissionais e manutenção das já existentes, tornando-as mais capazes de responder mais eficazmente à dispersão territorial e de apostarem numa maior variedade de linguagens: dança, teatro, texto, circo, marionetas, máscara, mímica, pantomima, cruzamentos interdisciplinares e performance, e sem excluir outras linguagens emergentes, criando facilidade de acesso a espaços, equipamentos e circulação”, defendem os agentes culturais.

Para tal, os signatários do manifesto pedem que o regime jurídico de apoio às atividades culturais da região (RJAAC) inclua um “escalonamento dos apoios por tipologias e características dos projetos e instituições”, uma vez que “o atual sistema agrupa de forma indiscriminada os projetos e instituições, ou seja, não apresenta diferenciação nos projetos e estruturas profissionais e não profissionais, cultura/animação turística, cultura/entretenimento”.

É sugerida, também, “a existência de uma quota para as candidaturas regionais”, no âmbito do RJAAC, bem como “de uma quota para projetos de continuidade, que desenvolvam trabalho a longo prazo, capazes de gerar emprego, que agreguem vários trabalhadores da área cultural e instituições, que mostrem resultados, com impacto cultural do seu meio envolvente”.

A política cultural da região deve incluir a “presença da figura especializada do gestor cultural na Direção Regional da Cultura e de uma unidade dedicada à produção e logística” e “a existência de um programa extraordinário de apoio” aos projetos profissionais, “contemplando a contratação de produtores e a criação de programas de desenvolvimento de públicos, à semelhança do que há algumas décadas se ensaiou com sucesso no resto do país”.

Os agentes destacam ainda a “necessidade de criação de redes de circulação e acolhimento, tanto dentro da Região Autónoma dos Açores, como no restante território nacional”, assim como a “criação/integração numa rede de estruturas de criação provenientes de regiões ultraperiféricas da União Europeia”.

Quanto à educação, é proposta “a criação de uma rede de oferta formativa em todas as ilhas na área das artes performativas” e a “criação de um ensino profissional de Artes e Ofícios do Espetáculo, em duas ou mais ilhas, à semelhança do que acontece no território continental e na Região Autónoma da Madeira”.

Os signatários lembram que lhes tem sido “negada a possibilidade de abrir portas ou até mesmo atuar em espaços ao livre”, devido às restrições impostas para combater a propagação da pandemia de COVID-19, apontando para uma “gritante disparidade de critérios” em relação a outros setores.

“As alternativas digitais são isso mesmo, alternativas, e não podem suprir as nossas necessidades nem substituir a interação humana tão preciosa à arte. A arte tem sido e continua a ser tratada como um pilar de somenos importância da sociedade, contudo, relembramos que, cedendo um, cedem todos”, concluem estes agentes culturais.

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