
Nuno Sarafa, elemento que, curiosamente, integra a formação tanto dos Best Youth como da banda de apoio de André Tentugal, foi o primeiro a deitar mãos à obra, que é como quem diz, a assumir posição frente à bateria e a iniciar a construção de Waiting, que se foi desenvolvendo com a chegada dos restantes músicos que acompanham esta tournée. À vez, Fernando Sousa (baixo) e Sofia Ribeiro (teclados) tomaram os seus lugares para que, já com a melodia bem fortificada, André Tentugal (We Trust), Catarina Salinas e Ed Rocha Gonçalves (Best Youth) pudessem entrar em cena. Terminada esta prece aos dias mais quentes, do repertório do realizador portuense, a óbvia cumplicidade entre todos, assinalada por constantes trocas de olhares e sorrisos, passa para o próximo tema. Wait for Me, não só torna evidente o registo de afinidade, como assegura a pertinência do conluio das vozes de Catarina e André. Este tema obedece à estética sonora dançável original continuada em Too Kind To Mind, canção que se segue, e que dá azo aos primeiros agradecimentos do concerto e à constatação de uma sensação que parece entranhar-se no bom ar do público, como reflexo do excessivo à vontade de quem está em cima do palco – “finalmente, estamos em casa!”.
O público, ainda que tímido, foi se mostrando conhecedor do trabalho dos músicos reunidos, aos quais se juntou, sempre que oportuno, em curtas cantorias nos refrões já sabidos. Once at a Time terá sido disso mesmo exemplo, a promover a interação num jogo de pergunta-resposta.
E eis que chegou a altura, nas palavras do bem humorado André Tentugal, de “pegar nos telemóveis e ligar a alguém especial". O belíssimo Them Lies, lado B de Time (Better Not Stop), a que Catarina Salinas intitulou de “momento miminho”, revelou-se uma peça fundamental num sucedâneo de momentos mágicos. Hang Out, canção pela qual os Best Youth terão chegado aos ouvidos da maioria, parece esta noite ter sorvido todo o entusiasmo com que foi recebida para desaguar em instante tão sublime. Repartida também pelas vozes de Ed Rocha Gonçalves e Sofia Ribeiro, que se juntaram aos dois principais vocalistas, Playground Love, dos AIR, fechou de forma arrebatadora esta trilogia elaborada a lânguidos contornos, e com um toque peculiar de sensualidade romanceada.
“Esta viagem não faria sentido sem vocês e ainda bem que vieram fazer parte de nós”. Com esta dedicatória, quase se chegou ao adeus dos There Must Be a Place. Time (Better Not Stop) deixou clara a proximidade do fim, sendo que, ainda que das suas cadeiras, o público, que fora gradualmente perdendo a vergonha, não se coibiu em cantar e dançar. Contudo, a saída de cena ficou a cargo de Surrender, que se foi formando com a ajuda dos presentes, ao repetirem a melodia ensinada de início por Tentugal.
Melodia essa que traz os músicos de volta ao plateau, para um curto encore de dois temas, que chega também com a autorização do abandono das cadeiras. Ao convite deixado pelo já reconhecido hábito de Catarina Salinas em fazer do palco pista de dança, acede o Porto que fez a lotação da sala, que, levantado dos seus lugares, se despediu em festa deste regresso conjunto a casa dos Best Youth e de We Trust.
Texto: Ariana Ferreira
Fotografias: Ana Limão
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