A versão de Amber Heard e dos seus advogados sobre "Aquaman 2" foi contrariada por duas testemunhas no julgamento por difamação que opõe Johnny Depp à sua ex-mulher.

No tribunal em Fairfax, tanto Amber Heard como a consultora da indústria do entretenimento Kathryn Arnold testemunharam que o papel de Mera foi bastante cortado no argumento de "Aquaman and the Lost Kingdom" por causa da pressões do ex-marido e da sua equipa, cuja "campanha de difamação" também a fez perder trabalhos no valor de 45 a 50 milhões de dólares.

O júri também ouviu que foi uma grande luta para não ser completamente excluída da sequela ao lado de Jason Momoa, já que essa era a vontade do estúdio.

Esta versão foi completamente desmentida pelo presidente da DC Films: num testemunho gravado a 15 de março e exibido esta terça-feira, Walter Hamada revelou qual foi a razão que levou o estúdio a ponderar durante várias semanas se "seria melhor reformular" ou exercer o seu direito de opção [uma espécie de acordo em que o estúdio paga para ter o direito de contratar, mas não a obrigação, em relação a um ator durante um período de tempo e em que ficam definidos os termos essenciais de um futuro contrato].

Aquaman

"Foi tudo sobre se ela era a escolha certa para o elenco do filme. Foram as preocupações que surgiram na conclusão do primeiro filme, na produção do primeiro filme, que era a questão da química. Os dois tinham química? Editorialmente penso que conseguiram fazer esse relacionamento funcionar no primeiro filme, mas havia uma preocupação de que foi preciso muito trabalho para chegar lá", explicou.

Elogiando o realizador James Wan e o editor por esse trabalho, o presidente da DC Films reconheceu o primeiro filme funcionou e os testes junto do público deram nota muito positiva à atriz, mas aprofundou um tema que não se costuma ouvir em público de uma pessoa tão importante dos estúdios.

"Eles não tinham muita química juntos. A verdade é que não é incomum que dois protagonistas nos filmes não tenham química e graças à magia do cinema e da montagem – a capacidade de juntar interpretações com a magia de uma grande banda sonora e como se juntam as peças –, consegue-se fabricar essa química. No fim, quando se vê o filme, parece que eles têm grande química. Mas sei que ao longo da pós-produção, foi preciso muito trabalho para lá chegar. Às vezes, juntam-se simplesmente as personagens no ecrã e funciona. É como o que faz uma estrela de cinema ser uma estrela de cinema. Sabe-se quando se vê. A química não existia. Este [filme] foi mais difícil por causa da falta de química entre os dois", admitiu.

Pressionado sobre o uso da palavra "fabricar", Hamada esclareceu: "É editorial, um bom editor, bons cineastas, conseguem escolher as boas tomadas, escolher os momentos certos e juntar as cenas. A banda sonora, a música numa cena, faz uma grande diferença. [...] É apenas a magia da pós-produção, montagem, som, design de som, música, etc.".

Walter Hamada

O responsável do estúdio disse que o trabalho da atriz no segundo filme correu sem sobressaltos, mas desmentiu que o papel de Mera tenha sido "reduzido": "o envolvimento da personagem na história foi mais ou menos o que era desde o início" porque a sequela, "desde as fases iniciais de desenvolvimento”, nunca foi pensada para ser um filme romântico como o primeiro, mas uma “comédia de amigos” ["buddy comedy" no original] entre Aquaman e o seu meio-irmão, o anterior rei de Atlântida Orm (Patrick Wilson).

Hamada também desmentiu que a razão para o salário de Amber Heard para "Aquaman 2" não ter sido renegociado foram as declarações de um advogado de Depp sobre as alegações de abuso doméstico da atriz serem falsas: o estúdio, explicou, tinha um direito de opção e exerceu-o com o salário que estava definido antes dessas declarações, embora tenha reconhecido que Jason Momoa conseguiu renegociar os termos do seu contrato.

Especialista refuta comparações com as carreiras de outras atrizes

Richard Marks

Num testemunho direto na terça-feira, os jurados ouviram o depoimento de Kathryn Arnold ser contestado por Richard Marks, advogado da área do entretenimento e especialista em contratos de Hollywood com quase 50 anos de experiência, incluindo os de estrelas como Chris Pratt e Paul Rudd, que voltou a ser chamado ao tribunal pelos representantes de Johnny Depp.

No dia anterior, a consultora da indústria chamada pelos advogados de Amber Heard estimou que a atriz podia ter ganho 45 a 50 milhões de dólares durante cinco anos em contratos de cinema, televisão e publicidade pois o primeiro "Aquaman" devia ter sido o seu momento "Assim Nasce Uma Estrela", lançando-a numa carreira "comparável" às do próprio Momoa, Gal Gadot, Zendaya, Ana de Armas e Chris Pine.

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"Eles não são comparáveis. Jason Momoa era 'Aquaman', Chris Pine era o Capitão Kirk ["Star Trek"], Gal Gadot era a 'Mulher-Maravilha', Zendaya estava a trabalhar no Disney Channel desde que tinha 13 anos. Ela está em todos os filmes do 'Homem-Aranha', ela é conhecida por um nome. A Ana de Armas, quando entrou num filme, chamaram-lhe uma revelação", explicou Richard Marks, que começou o seu testemunho por enumerar que Momoa entrou em séries com 78, 44 e 21 episódios, incluindo "A Guerra dos Tronos".

"Não são comparáveis. A senhora Arnold centrou-se em Jason Momoa, que é o menos comparável, por causa da sua história e da sua carreira [...]. Ele foi Conan, o Bárbaro, ele foi Aquaman num filme em que a Amber Heard não entrava, ele foi Aquaman, não um personagem secundário como Mera. Simplesmente, não são comparáveis. E podem-se dizer as palavras, mas não vi nada da senhora Arnold a sustentar isso [sobre o dinheiro que não ganhou]".

Este especialista recordou que Amber Heard fez parte de um grupo de atrizes que fez testes para o estúdio e eventualmente propor um acordo de direito de opção, o que influencia o seu salário e poder de negociação. Mostrou-se ainda surpreendido com a "sinceridade" de Walter Hamada, pois os estúdios não precisam discutir como gerem esses acordos.

Sobre a consultora Kathryn Arnold, concluiu de forma demolidora: "A minha análise geral sobre as opiniões dela é que não valem o papel em que não estão escritos. Ela percebe alguma coisa do negócio, mas não sobre negociar acordos [...]. A minha opinião, enquanto alguém que fez acordos enquanto negociador durante quase 50 anos, é que ela se chama a si mesma de especialista, mas não é. Não tem a experiência, não tem o conhecimento do dia a dia e o testemunho dela que ouvi não suporta a sua conclusão. Se se quer conseguir aqueles valores, tem de se mostrar [aos estúdios] porque é que são merecidos [...]".

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