O ciclo de cinema documental Hádoc assinala este ano uma década de existência em Leiria, regressando na reabertura das salas com mais sete filmes entre abril e junho, um contributo para a “formação de uma opinião informada”, explica a organização.

Nuno Granja, da associação cultural ecO, responsável pelo ciclo, defende que o contexto atual torna ainda mais importante a função do cinema documental, “uma ferramenta poderosíssima ao nível da comunicação”.

“Mais do que o contexto pandémico, é o contexto social em que vivemos que nos coloca grandes desafios”, defende o programador, que considera a atual circuito informativo “muitas vezes limitado”.

Através do cinema documental é possível “somar uma componente artística e pessoal à forma como é veiculada uma determinada visão da realidade”, permitindo “formar um entendimento - racional ou emocional - sobre um tema ou situação”.

Assim, ao longo de três meses, Hádoc mostra a Leiria sete filmes escolhidos pela diversidade que contêm. “Mais do que qualquer prémio ou nomeação”, vinca Nuno Granja, “o critério fundamental é que a equipa de programadores indique filmes que de alguma forma os afetaram emocionalmente”.

“Não queremos que o público saia da sala indiferente”, sublinha.

No ano em que assinala uma década de atividade de Hádoc, a associação ecO salienta ter sido possível “não interromper a regularidade” da mostra documental, “mesmo em tempo de pandemia”.

Ao Teatro Miguel Franco, um dia depois da reabertura das salas, dia 20 de abril voltam filmes que se destacam pelo “efeito multiplicador do impacto que a arte cinematográfica potencia, principalmente pela atualidade e pela proximidade ao indivíduo”.

Esse efeito do cinema documental “exige envolvimento e tempo”, num exercício que “continua a ser desafiante nos tempos em que vivemos, porque nem tudo se consegue expressar em vídeos de dois minutos”.

O programador espera uma “resposta bastante positiva” do público: “Existem um desejo e uma necessidade de voltar a uma ‘normalidade possível’. A sala de cinema é, curiosamente, um espaço que concilia de forma natural a socialização e a introspeção. Estaremos longe de retomar o que era habitual, antes destes tempos conturbados, mas contamos com a adaptabilidade do público”.

Hádoc começa a 20 de abril com “A utopia americana de David Byrne”, de Spike Lee, exibindo “Dentro da minha pele”, de Toni Venturi e Val Gomes, a 27 de abril.

Em maio, há “Radiografia de uma família”, de Firouzeh Khosrovani, no dia 11, “Presidente”, realizado por David Osit, no dia 18, e “Beijar a terra”, de Joshua Tickell e Rebecca Harrell Tickell, no dia 25.

Para junho, a associação selecionou “Bostofrio”, de Paulo Carneiro (foto), a exibir no dia 8, e “O Agente infiltrado”, de Maite Alberdi, para o encerramento, dia 22.

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