"Esta ansiedade que nos abalou a todos acompanhou a criação do espetáculo, mas em vez de nos deprimir, teve o efeito contrário. Eu optei pela luz", comentou, em declarações à agência Lusa, a propósito da estreia, marcada para 18 de setembro, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

Depois da reflexão expressa em “Autópsia”, estreada em novembro do ano passado, sobre o impacto negativo que o ser humano tem vindo a causar ao planeta, a nova coreografia tornou-se o seu seguimento, e acontece num futuro em que os personagens olham para o passado.

As personagens da nova coreografia - Zhora Fuji, Naoki 21, Dawnswir, Gael Bera Falin, Kepler 354, Priscilla Noir e Human Cat -habitam a cidade de Tannhauser, no ano de 2307, no planeta Terra 3, e "agem como se tivessem perdido a memória".

"Foram dez meses de trabalho, com vários recomeços, devido à pandemia COVID-19, vários intervalos, que não foram banais, foram um fazer face a uma pandemia que gerou muita ansiedade, e teve o seu lado negativo e positivo", descreveu a coreógrafa, sublinhando que optou "pela luz" na versão final.

As personagens que decidiu ficcionar no futuro procuram "um arquivo de memórias virtuais", que vão encontrar, por exemplo, nas imagens e na música, em vários estilos, desde a clássica, contemporânea, techno.

"Há uma viagem de tempo musical na qual todos têm experiências individuais e em grupo", descreveu, sobre o espetáculo que acontece num palco dividido a certa altura por uma cortina dividida em sete partes, e que serve também de tela de projeção de imagens recolhidas de filmes, ao longo da qual se vão desvendando várias cenas em simultâneo.

A música tem sido, aliás, uma componente muito importante no trabalho de Olga Roriz, que a vê "não apenas como um elemento que dá ritmo ao corpo, mas como algo que vai evidenciar ou destruir".

Alex Hoeppner, Ben Frost, Brian Eno, Claude Debussy, Dark Side, Henry Purcell, Moby, Pergolesi, Shortparis, Vangelis, Vivaldi e Wagner são os autores das músicas escolhidas por Olga Roriz e por João Rapozo, para esta nova coreografia.

"Questionei-me como a música de Vivaldi por ser entendida por um ser humano do futuro", exemplificou, sobre as perguntas que lhe surgiram durante o processo de seleção musical.

A nova peça de dança estreia-se a 18 de setembro e será retomada nos dias seguintes, 19 e 20, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, com o qual tem coprodução, a par da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão e do Município de Loulé.

Esta criação tem direção de Olga Roriz e, como intérpretes, André de Campos, Beatriz Dias, Bruno Alves, Catarina Câmara, Francisco Rolo, Marta Lobato Faria, Yonel Serrano.

A banda sonora e o vídeo são de João Rapozo, a seleção musical, de Olga Roriz e João Rapozo, a cenografia e figurinos são de Olga Roriz e Ana Vaz, o desenho de luz, de Cristina Piedade, a assistência de cenografia, de Daniela Cardante e, a assistência de figurinos e adereços, de Ana Sales.

A Companhia Olga Roriz irá em digressão, a 26 de setembro, apresentando "Autópsia", nesse dia, na Fiqueira da Foz, seguindo-se "Seis meses depois", a 3 de outubro, em Famalicão, em Loulé, a 31 de outubro, e, no Centro Cultural de Ílhavo, a 27 de novembro.

Em 2021, a 23 e 24 de janeiro, será a vez de "Autópsia" subir ao palco do Teatro Nacional de São João, no Porto, seguindo-se, a 29 de janeiro, o Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, e, a 13 de fevereiro, o Teatro Municipal de Bragança.

Em 2015, Olga Roriz assinalou 20 anos da companhia em nome próprio e 40 anos de carreira, com a revisitação da peça "Propriedade Privada" (1996), no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.

O seu repertório na área da dança, teatro e vídeo é constituído por mais de 90 obras.

Criou e remontou peças para o Ballet Gulbenkian, Companhia Nacional de Bailado, Ballet Teatro Guaira (Brasil), Ballets de Monte Carlo, Ballet Nacional de Espanha, English National Ballet, American Reportory Ballet e Alla Scala de Milão (Itália).

Nascida em Viana do Castelo, em 1955, Olga Roriz estudou ballet clássico e dança moderna com Margarida Abreu e Ana Ivanova, ingressou na Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa e tornou-se primeira bailarina do Ballet Gulbenkian, onde foi depois convidada a coreografar.

Em 1995, viria a criar a Companhia Olga Roriz, atualmente instalada no Palácio Pancas Palha, cedido pela Câmara Municipal de Lisboa.

O repertório da companhia conta, entre outras, com "Pedro e Inês", "Inferno", "Start and Stop Again", "Propriedade Privada", "Electra", "Os Olhos de Gulay Cabbar", "Nortada", "Jump-Up-And-Kiss-Me", "Pets", "A Sagração da Primavera", "Antes que Matem os Elefantes" e "Síndrome".

Olga Roriz foi distinguida com a insígnia da Ordem do Infante D. Henrique (2004), com o Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores (2008) e o Prémio da Latinidade (2012), entre outras distinções.

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