O Alkantara Festival - que junta dança, teatro e performance - volta a ocupar a capital entre os dias 10 e 26 de novembro, também com os regressos de Nadia Beugré e de Marcelo Evelin.

"Blackface", uma produção do Alkantara em coprodução com o Teatro do Bairro Alto, foi escrito e encenado por Marco Mendonça, e será um espetáculo a solo, entre o ´stand up´ e a fantasia, entre a sátira e o teatro físico, entre o burlesco e o documental, segundo a organização.

Em cena, Marco Mendonça propõe-se explorar a performatividade e a história do ´blackface´, como prática teatral racista — desde as suas raízes nos Estados Unidos da América aos casos portugueses —, procurando os limites do que pode, ou não, ser representado num palco.

Por seu turno, Gaya de Medeiros leva ao Centro Cultural de Belém uma nova versão de "Pai para Jantar", que questiona os modos como são agenciadas palavras, afetos e arquétipos ao redor da ideia do que é “ser homem”.

“São projetos que nos convidam a olhar para a relação com os corpos: a partir da história de práticas racistas, da relação com o desejo e com a identidade de género, a partir das relações familiares que estabelecemos ou da forma como a dança pode ser um espaço para experimentar o nosso lugar na natureza, na cultura, na sociedade”, diz David Cabecinha, codiretor artístico do festival, juntamente com Carla Nobre Sousa, citado num comunicado da organização.

Ao palco do grande auditório da Culturgest subirá, no terceiro fim de semana do festival, um elenco constituído por pessoas da comunidade trans de Abidjan, uma das mais populosas cidades africanas e capital económica da Costa do Marfim, onde nasceu a coreógrafa Nadia Beugré.

"Profético (Nós já nascemos)" é o título deste espetáculo de Beugré, que resulta do contacto que tem mantido com aquela comunidade trans, "pessoas que, designadas à nascença como rapazes, flutuam entre géneros num gesto de reivindicação de liberdade feroz, numa sociedade extremamente patriarcal que, na melhor das hipóteses, finge que não as vê", indica a produção.

Por seu turno, o coreógrafo brasileiro Marcelo Evelin, em cocriação com a companhia Demolition Incorporada, leva ao São Luiz Teatro Municipal o espetáculo "Uirapuru" - que significa em tupi-guarani, a língua dos povos originários do Brasil, “o homem transformado em pássaro” ou “ave enfeitada” - inspirado nas entidades que habitam as florestas do Brasil, e no imaginário das matas brasileiras.

A edição de 2023 do Alkantara marcará também o primeiro momento de apresentações públicas em Portugal de dois projetos que colocam em diálogo artistas de diferentes geografias a residir em países europeus, através de duas redes de organizações culturais europeias: o In Ex(ile) Lab e o Common Stories, este último ainda com a Culturgest como um dos parceiros.

Para estes projetos, cofinanciados pelo programa Europa Criativa, da União Europeia, foram selecionadas as candidaturas de artistas residentes em Portugal: Francisco Thiago Cavalcanti, Keyla Brasil e Letícia Simões, para o In Ex(ile) Lab, e de Maíra Zenun, que integra o Common LAB.

Ao todo, são 20 artistas apoiados por ambos os projetos durante o ano de 2023.

O festival é organizado pela Alkantara, uma associação cultural sem fins lucrativos de utilidade pública financiada pela Direção-Geral das Artes e pela Câmara Municipal de Lisboa.

Iniciado em 1993 por Mónica Lapa, na altura com o nome “Danças na Cidade”, o Alkantara voltou a ser um festival anual em 2020, com o objetivo de manter uma identidade internacional, com abertura à experimentação e cultura contemporânea.

O programa completo do Alkantara Festival 2023 será revelado em outubro, segundo a organização.

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