Os olhos de Madonna brilhavam. Já tinham passado duas horas do espetáculo onde freiras transexuais se retorciam à volta de varões de dança e onde bailarinos simulavam atos sexuais.

"Sou tão sortuda por ter sobrevivido tanto", disse a rainha da pop à multidão que esgotou na noite de quarta-feira, 16 de setembro, o Madison Square Garden, em Nova Iorque.

"Esta noite sinto-me muito nostálgica. A primeira vez que atuei aqui foi há 30 anos", contou.

Num dos primeiros concertos da digressão "Rebel Heart", Madonna demonstrou que ainda tem capacidade para provocar e que, aos 57 anos, continua a ser capaz de seguir uma elaborada coreografia que deixaria qualquer artista sem ar.

O espetáculo começou quando a cantora saiu de uma jaula até uma procissão de bailarinos inspirada em Joana D'Arc e nos samurais.

Madonna e os bailarinos trocaram de indumentária a um ritmo vertiginoso, à medida que a artista assumia personagens que iam desde uma mulher dos anos 1920 a uma toureira erótica.

A cantora também ficou emocionada com o público da sua cidade adotiva ao recordar que foi no Madison Square Garden que encerrou, triunfante, a digressão "Like a Virgin" em 1985.

Mais sexo e choque

Madonna ajudou a revolucionar o conceito de concerto quando fez, em 1990, a digressão "Blond Ambition", na qual criou uma espécie de nova aura para a sua música através das contínuas trocas de roupas e das fortes conotações sexuais. Uma cena em que simulava masturbar-se foi condenada pelo Vaticano.

Com os concertos de "Rebel Heart", o conteúdo sexual está longe de ter diminuído. Madonna entrou no palco acompanhada de uma gravação na qual diz: "Tenho seios e rabo e um desejo insaciável de chamar a atenção".

Quando cantou "Holy Water", um grupo de bailarinos vestidos de freiras deslizou para cima e para baixo em varões e acabaram a lançarar Madonna para o ar.

"Esta é a primeira vez que o meu agente disse que estou a vestir muita roupa"

Depois, o cenário transformou-se numa imitação de "Última Ceia". Mas, nesta versão, Madonna era o prato principal e estava amarrada à mesa.

A cantora provou ainda que é capaz de surpreender com a música e com o poder da voz. Num dos momentos mais emotivos da noite, sentou-se sozinha com um 'ukulele' e cantou, em francês, "La Vie en Rose", de Edith Piaf.

Madonna cantou ainda "Dress You Up", "Into the Groove" e "Lucky Star"em versão acústica e com tons espanhois, acompanhada por um grupo de baile que dançou  flamenco.

"Esta é a primeira vez que o meu agente disse que estou a vestir muita roupa", disse Madonna quando saiu com um vestido de flores.

A artista começou a digressão na semana passada em Montreal e tem agendados 76 concertos até março de 2016.

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