PEDRO foi uma das primeiras atuações da noite de sábado. Anteriormente conhecido por KKiNG KONG, o DJ da Enchufada, label comandada por Branko, foi o responsável por ditar a ordem e o ritmo da noite ao som dos tropicalismos dos diversos países lusófonos. O funk brasileiro e o kuduro (com o resquícios de Beyoncé à mistura) aqueceram (e de que maneira!) a sala, com todos a descerem e a dançarem freneticamente. Apenas a lamentar uma ausência de som durante 3 minutos, mas decerto terá sido porque o PA não aguentou a batida.

Dirigimo-nos para a Fábrica do Pão para encontrar um dos habitués quando se fala de festivais eletrónicos em Portugal: Mirror People, de Rui Maia (membro dos X-Wife). Seguindo as dádivas dos sintetizadores e à boleia da eletrónica e new wave, a banda expôs uma das principais lacunas sentidas ao longo dos dois dias de festival: as fracas condições de acústica das salas (porventura, o melhor lugar para ouvir era junto à mesa de som).

Vestidos como mecânicos, os músicos esforçaram-se para fazer dançar a pequena enchente que já aguardava Nosaj Thing, prestes a aparecer. E quando apareceu, ninguém viu. Um feixe de luz (por vezes, dois) e um strobe resumiram todo o aparato visual por detrás do músico californiano. Em modo solitário, fez partilhar outras solidões do público, que observava e sentia as emoções que Nosaj queria transmitir, num registo pesado, carregado de energia tensa. Para além das influências evidentes, Nosaj Thing explora o hip hop, os synths carregados para apresentar "Parallels", álbum lançado no ano passado.

Na sala Carlsberg, na outra secção do festival, decorria o concerto do Joe Goddard. À falta de Hot Chip em Lisboa, Goddard é uma oportunidade de dançar ao som de algumas sonoridades que influenciam a banda e o artista, que também tem a sua carreira a solo.

Uma das canções do inglês, “Music Is the Answer”, é a resposta aos problemas mas também um motivo para dançar e celebrar juntamente com a cantora que o acompanhou, Valentina. É a resposta também para alegrar uma sala quase à pinha (os que não estavam com Nosaj estavam ali, ou então intercalaram os dois concertos) à procura de ouvir "Eletric Lines". Um álbum que é o espelho da sua carreira musical, fazendo um raio-x pela house, disco e R&B.

Findo Joe Goddard, há que fazer um pequeno e rápido balanço desta edição do Lisboa Dance Festival. Sobretudo porque a LX Factory e todo o seu micro-ambiente acabaram por deixar saudades, tanto pela atmosfera como por não nos lembrarmos de limitações no que toca à alimentação, casas de banho e até multibancos, como aconteceu este ano no Hub Criativo do Beato. Por outro lado, o evento poderá ser o primeiro impacto de uma nova vida a ganhar mais expressão nesta zona oriental de Lisboa. Veremos no próximo ano...

Texto: Carlos Sousa Vieira/ Fotos: Pedro B. Maia

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