Se o dia tinha sido quente, a noite no Coliseu foi escaldante. Numa verdadeira aula de ginástica na plateia, o aquecimento foi dado pelo DJ irlandês "Shit Robot", que colocou durante mais de uma hora o público em “ponto de rebuçado” para a entrada de James Murphy e a sua banda.

É aos saltos, mãos no ar e corações ao alto que "Get Innocuous!" dá o mote. A panóplia de sintetizadores e percussão que estão espalhados pelo palco ecoam sob a grande bola de espelhos que está no meio do palco e começam a espalhar a magia que é a música dos LCD Soundsystem, que sofreu o já mais que falado hiato de cinco anos.

Antes deste hiato, em 2010 surgia "You Wanted a Hit", This is Happening, ou "Tribulations", do álbum homónimo de 2005. Nestes socos que nos deitam ao chão, mas nos levantam rapidamente, vemos a mestria e liderança que James Murphy tem na banda. O seu perfeccionismo leva-o a rondar o palco e os instrumentos dos seus companheiros de guerra. Sempre a controlar para que nada falhe. Por isso é que "I Can Change" foi interrompida ainda no início, para que pudesse ser retomada. É suposto ser um segredo, mas seguindo a lei de James Murphy, as regras existem para ser quebradas.

Veja as imagens do concerto:

O regresso aos palcos da banda norte-americana foi uma surpresa em 2016, mas deu para perceber que isto funciona um pouco como o vinho. Fica melhor com o tempo, e American Dream, que figurou nos tops natalícios de imensa gente no final de 2017, é a prova que o melhor ainda estava para vir. "Call the police" foi a primeira faixa do disco que tocaram no Coliseu, antes de surgir uma surpresa que não apresentam em todos os concertos.

"Daft Punk is Playing At My House" foi mais uma ignição que aumentou ainda mais o fogo que se fazia sentir. E a combustão aumentou quando "Someone Great" e "Tonite" galgaram o palco e arderam nos nossos corações. A dada altura, James Murphy falava um facto que está na internet - e se está na internet, é verdade - que Lisboa é a cidade que tem mais fãs de LCD Soundsystem per capita. E que se sentia muito acarinhado por isso. Isto sem antes praguejar os nossos pastéis de nata. Também comer à dúzia nunca deu bom resultado, ele que o diga.

"I want your love" é o tema dos Chic que é interpretado por Nancy Whang, dando um outro brilho à noite e que antecipa a despedida ao som de "How Do You Sleep". Em 9 minutos damos “um passo à frente, para dar seis passos atrás”, numa clara crítica ao seu antigo companheiro de trabalho e cofundador da sua produtora DFA, Tim Goldsworthy. “Standing on the shore facing east” e “Whatever fits in your pockets, you’ll get your due” são referências diretas para o inglês que nunca terá uma equidade de sucesso na DFA.

Mas tudo isto, antes de um encore que é anunciado a priori. Porque todos somos crescidos e sabemos que a banda volta ao palco. “Nós já estamos velhos e precisamos de ir à casa de banho”, brincou Murphy. E também para refrescar, porque já estávamos (nós, público e banda) todos suados ao fim de quase duas horas de concerto.

Ao regresso anunciado, vieram os êxitos que já estão na ponta da língua do Coliseu. "Oh baby", "Dance yourself clean" e o hino "All My Friends" que é cantado como já não houvesse amanhã pelos fãs. A sorte é que há amanhã e mais dois concertos de LCD Soundsystem pela frente para se despedirem da digressão. Pode é pairar a dúvida se estes são os derradeiros últimos concertos da banda. Provavelmente não, mas se forem, terminam no sítio certo. Connosco.

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