Findo o Mundial, arranca outro tipo de campeonato que enche campos e parques, país fora. Neste caso, falamos do EDPCoolJazz e as equipas em campo são os Dead Combo e os BADBADNOTGOOD.

O aquecimento auditivo foi feito por Ricardo Marques e a sua banda, que se encarregaram de uma espécie de recepção ao fã, e a primeira parte da noite coube aos Dead Combo. A dupla lisboeta, de volta aos novos projetos com o Odeon Hotel, entrou logo em campo com "Deus Me Dê Agonia". Os ataques incessantes à guitarra por parte de Tó Trips, ajudado por Pedro Gonçalves, mostravam mais uma nova face do rock, mesclado com blues e fado que deram o estilo sui generis que ajuda a distinguir os Dead Combo do resto.

"Mr. e Mrs. Eleven" e "The Egyptian Magician" (tema que no álbum foi dedicado ao nosso muito saudado Zé Pedro) foram alguns dos novos temas, intercalarados com a grande artilharia da banda, com "Esse Olhar Que Era Só Teu" ou "Lisboa Mulata", que virou um verdadeiro hino à música, com o Parque completamente em silêncio para assistir a duas guitarras a transformarem-se numa só.

Como nota de conclusão fica "Desassossego" e a emergência de outra estrela da noite, o baterista Alexandre Frazão, conhecido de andanças dos tempos de Mário Laginha ou Bernardo Sassetti, que rebenta com as escalas do impossível e dá asas a um improviso desenfreado, tornando a bateria no elemento central do concerto.

Tempo de intervalo, mudança de equipamentos e é hora de a banda aguardada do dia subir ao palco: BADBADNOTGOOD, o grupo canadiano que desafiou uma nova onda do jazz, misturando-o com influências do rock ou do hip hop. Que desafiou criações com produtores como Kaytranada, várias vezes mencionado ao longo da noite, mas que também teve colaborações importantes com Samuel T. Herring (vocalista dos Future Islands, que no sábado anterior estava no NOS Alive, no concelho ao lado) e Mick Jenkins, outro dos valores emergentes da música norte-americana. Ou ainda Ghostface Killah, membro fundador dos Wu-Tang Clan.

A entrada em campo é calma, com "Speaking Gently" a dar o mote para uma hora e meia de ritmos desenfreados e intermitentes com a improvisação de quatro membros que sabem o seu lugar. Alexander Sowinski, para além de ser o mestre encarregue da bateria, é o distribuidor de jogo, sendo aquele que interage com o público, que puxa por este enquanto que Matthew Tavares e Leland Whitty são os virtuosos encarregues de dar contornos de elevada nota artística. Já Chester Hansen, no baixo, tem a função de manter as peças do puzzle unidas. Nesta analogia ao futebol, é o que mantém a defesa e o ataque unidos.

BADBADNOTGOOD
créditos: Pedro B. Maia

E como qualquer bom jogo de futebol que se preze, também aqui há invasão de campo, ou pelo menos quase isso: quando, a meio do concerto, Alexander Sowinski pede ao público que estava sentado que se levante e se desloque para a frente. Aí, quem estava do outro lado das grades aproveitou a oportunidade para ficar na primeira fila, num espetáculo que se revelou único, ao som de "Levander" (que nos fez recordar o videoclip polémico com Snoop Dogg a visar Donald Trump), "Weight Off" ou "Confessions".

Neste regresso a Portugal, depois de no ano passado terem atuado no Vodafone Paredes de Coura, os BADBADNOTGOOD continuam a provar que o jazz é também uma necessidade para públicos mais novos. Aliás, o público jovem esteve em grande maioria em comparação com o que costuma marcar presença ao longo dos vários concertos do EDPCoolJazz.

São 90 minutos que passam depressa, mas com direito a tempo de descontos. E o encore termina com todos os espectadores a fazer agachamentos e a vibrar ao som de "CS60". Haverá melhor maneira de terminar uma digressão europeia, antes do regresso ao Canadá? Talvez. Mas à saída, na flash interview, não houve melhor maneira de passar uma terça-feira do que neste concerto.

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