“Agustina. O riso de todas as palavras” vai decorrer no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, a partir das 10h00, estando a sessão de abertura a cargo do administrador Guilherme d’Oliveira Martins e da escritora Inês Fonseca Santos, anunciou a fundação.

Meia hora depois, o presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, António M. Feijó, catedrático de Literatura da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a jornalista Clara Ferreira Alves e o escritor Pedro Mexia debatem, com moderação de Susana Moreira Marques, o tema que dá título ao colóquio, “O riso de todas as palavras”, e que consiste numa frase “roubada” ao texto “Maria Agustina, a trânsfuga”, de Maria Velho da Costa.

“É o riso do espanto e da sabedoria, o riso da infância e da ancestralidade, mas também o do humor, da ironia e de um certo desdém; é, em suma e para se regressar ao texto de Maria Velho da Costa, o riso de quem ‘triunfa, menina total e raciocinante’”, descreve Inês Fonseca Santos.

Depois do almoço, segue-se o painel “O rio da infância”, pelos escritores e professores Rita Taborda Duarte e José António Gomes, com moderação de Sara Figueiredo Costa, a que se seguirá um momento musical por Mísia, que canta “Garras dos Sentidos”, de Agustina Bessa-Luís.

Este momento musical conta também com a participação dos músicos Bernardo Romão (guitarra portuguesa) e João Filipe (viola), e está integrado no painel “Mulher: ‘ser completo, princípio e fim’”, sobre o qual falarão Maria João Seixas e Catherine Dumas, moderadas por Clara Pinto Caldeira.

A terminar o colóquio, pelas 19h00, haverá uma leitura encenada de “A Ronda da Noite”, numa criação de João Sousa Cardoso, com Ana Deus.

No âmbito do colóquio, será apresentada a exposição “Reflexos duma luz”, que reúne dez ilustrações de personagens femininas de diferentes obras de Agustina Bessa-Luís, por dez ilustradores – Alain Corbel, Cláudia R. Sampaio, João Fazenda, João Maio Pinto, Luis Manuel Gaspar, Mantraste, Pedro Lourenço, Sebastião Peixoto, Susa Monteiro e Tiago Manuel.

No final de “Fanny Owen” (1979), Agustina Bessa-Luís refere-se à vida como “o reflexo duma luz” e ao facto de, uma vez desaparecida a vida, esse reflexo não poder ser nunca mais vislumbrado.

“As personagens de romance raramente perdem a vida para os leitores atentos; permanecem neles, inscrevem-se nas suas próprias vidas, cintilando e projetando luzes, iluminando o entendimento do mundo e da existência. Tornam-se memória e, por vezes, modelo. Foi essa a proposta feita aos artistas visuais que integram esta exposição”, explica Inês Fonseca Santos.

O objetivo era que os artistas recuperassem memórias das suas leituras de Agustina, que se apropriassem da visão originária de determinadas personagens para construírem a sua, que solicitassem a algumas das mulheres imaginadas pela escritora a possibilidade de se tornarem modelos dos seus desenhos, acrescenta a escritora.

Nesta mostra, encontram-se as personagens Quina, Sibila, Fanny Owen, Lourença, Purinha, Ofélia, Camila, Ema, Fisalina, Rosalina e Ana.

Através “destas mulheres e das suas narrativas, reencontramo-nos com dez livros de Agustina; através deles, destes retratos e do modo como foram recriados com traços, confrontamo-nos com dez perspetivas de leitura da obra de Agustina", sublinha Fonseca Santos.

Agustina Bessa-Luís nasceu a 15 de outubro de 1922, em Vila Meã, Amarante.

“Assinalar o centenário do nascimento de uma escritora que, no dizer de Álvaro Manuel Machado, foi – e continua a ser – 'exemplo de solitária grandeza', equivale a compreender os caminhos percorridos pela ficção portuguesa contemporânea, assim como a acompanhar algumas das muitas faces assumidas pelo século XX português”, lê-se na página da Gulbenkian.

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