São refugiadas, chegaram a Braga entre abril e maio, e ali vão permanecer em contexto de residência artística por um ano, numa iniciativa patrocinada pelo grupo dst, que lhes paga mil euros por mês, lhes assegura alojamento e lhes disponibiliza um ateliê e os materiais e tecnologias necessários para desenvolverem o seu trabalho.

No sábado, na zet gallery, pertencente àquele grupo, inaugura uma exposição com os primeiros trabalhos desenvolvidos pelas cinco, que vão da pintura à ilustração, à escultura e à fotografia.

“É inevitável que no trabalho artístico de cada uma se consiga vislumbrar uma alusão à guerra”, refere à Lusa a diretora da zet gallery.

Helena Mendes Pereira aponta, como exemplos, uma escultura de uma mulher a tapar os ouvidos, como que para “tentar calar” os sons da guerra, ou a “espécie de nevoeiro” que perpassa pelas fotografias de uma outra artista.

“São mulheres guerreiras, exemplos de grande resiliência, que usam a arte como a única arma eficaz contra a barbárie”, aponta, assegurando que a sua integração em Portugal está “a correr bem, de uma forma geral”.

A artista Margaryta Alfierova, 50 anos, é efusiva quando se lhe pergunta sobre Portugal e os portugueses.

“Sinto-me muito bem em Portugal. É um país lindo, com pessoas lindas. Gosto mesmo”, responde, de imediato.

No entanto, ainda não sabe se, após o fim da residência artística, ficará em Portugal, para onde veio sozinha, ou regressará à Ucrânia.

“Neste momento, não sei o que o futuro trará. Esta situação de guerra ensinou-me a não fazer grandes planos de vida. O que sei é que quero viver a vida e quero ser feliz", assegura.

Uma felicidade que, neste momento, em Portugal, diz encontrar na possibilidade de poder continuar a desenvolver o seu trabalho, mas também em coisas simples como o bacalhau ou um pastel de nata, das poucas palavras que já pronuncia em português correto.

“Tentei aprender português mas, para ser franca, é muito difícil. Depois da exposição, prometo que volto a tentar”, refere.

Já Yevheniia Antonova, 36 anos, veio para Portugal, ao volante do seu carro, com a mãe, o filho e o cão.

Diz que se sente “muito bem” em Portugal, que os portugueses são “muito amistosos e muito calmos”, mas também ela ainda não se decidiu sobre o seu futuro.

“Sinceramente, não pensei sobre isso. Claro que tenho saudades do meu país, mas ficar aqui depende do trabalho”, afirma.

Admite que está numa situação “privilegiada” em relação a outros refugiados, já que tem trabalho, pode continuar a sua prática artística, tem um ateliê onde passa “todo o tempo”.

Além disso, o seu filho vai agora para a escola pública, naquele que será mais um passo para a sua integração em Braga.

“Vamos ver o que o futuro nos reserva”, diz.

Na residência artística, participam ainda Oleksandra Skliarenko, Hanna Kyselova e Nataliia Diachenko.

As artistas têm também possibilidade de divulgar e comercializar de forma segura as suas obras, combinando as novas estratégias de marketing digital com o modelo mais tradicional de galeria de arte.

“Há algumas que estão a conseguir ajudar monetariamente as famílias que ficaram na Ucrânia, com transferência de dinheiro”, refere a diretora da zet gallery.

Apesar do clima de paz que encontraram em Braga, da cabeça das cinco mulheres não sai a situação de conflito na Ucrânia, que perdura desde 24 de fevereiro.

“Mas a guerra vai acabar, claro que vai. A paz é possível e vai acontecer. E eu, por mim, só quero viver e ser feliz”, repete Margaryta Alfierova.

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