
A já longa vida dos Heavenwood tem resistido a alguns contratempos e algumas paragens e os seus três elementos, que mantêm a música a par das suas profissões, sentem-se como “uma espécie de pedreiros musicais” levando tudo “muito a sério” e preparados para “mais 20 anos pela frente, se o corpo assim deixar”, afirmou Ricardo Silva à agência Lusa.
A banda do Porto, que arrancou em 1992 a partir de uma outra banda, os Disgorged, está neste momento a preparar o seu quinto álbum, fruto de um recente contrato com a editora francesa Listenable Records.
Bruno Silva (guitarra), Ricardo Silva (guitarra e voz), Ernesto Guerra (voz) são o núcleo central dos Heavenwood e, ao longo das duas décadas de existência de um heavy metal com tonalidades góticas, já editaram quatro álbuns - “Diva” (1996), “Swallow” (1998), “Redemption” (2008) e “Abyss Masterpiece” (2011).
Ao longo do seu percurso sofreram várias paragens, nomeadamente entre 2001 e 2003, alguns contratempos, como os decorridos na gravação do terceiro álbum. Só a partir de 2008 é que voltaram aos níveis de atividade mantidos no final da década de 1990 ou, como referiu Ricardos Silva, conseguiram “voltar a entrar na liga”.
Para manter 20 anos de atividade é, de acordo com Ricardo Silva, preciso “muito amor, muita dedicação e trabalhar com legitimidade, com honestidade, olhando para a música como uma questão nobre e no verdadeiro sentido da arte, não pensando na questão material”. Afirma Ricardo Silva que o que vale “é acreditar que os resultados vêm, fruto de uma matéria-prima autêntica e de qualidade”.
Depois de um álbum em que foram ao “encontro da música clássica, trabalhando com orquestrações” e com o universo poético da Marquesa de Alorna, preparam-se para lançar um novo álbum com uma temática “mais ligada ao ocultismo e à alquimia”
Os Heavenwood, que já fizeram várias digressões europeias e tocaram com outras bandas, como Theatre Of Tragedy, Atrocity ou os Cradle Of Filth, acham que “há uma evolução enorme em termos de qualidade e em termos de equipamento” dentro do heavy metal, nestes últimos 20 anos.
Em contrapartida continua haver uma “falta de espaços terrível” para tocar e Ricardo Silva considera que a Internet “ajudou muito na divulgação", mas as bandas “ainda não estão a usar da melhor forma esta ferramenta”.
Ricardo Silva também acha que “a situação atual do país também não ajuda e mesmo quem o faz por amor à camisola já coloca algumas interrogações e faz contas”. Assim, conclui que o “heavy metal corre o risco de enferrujar”.
@SAPO/Lusa
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