Depois da sétima edição, em 2019, e após uma anunciada edição de 2021 que acabou adiada, trata-se de pôr fim a um ‘jejum’, e o regresso ao Hard Club, este mês, faz-se sob o signo do reencontro.

Entre presenças habituais no festival e várias estreias de bandas internacionais em Portugal, o Amplifest conta com Elder, Oranssi Pazuzu, Cult of Luna e Wolves in the Throne Room, entre outros, no primeiro fim de semana.

No primeiro dia de festival, na sexta-feira, um azar deu lugar a um exclusivo, dado que um acidente do baixista dos belgas Amenra, uma das bandas mais ‘repetidas’ no cartaz ao longo dos anos, impediu a interpretação do novo disco, “De Doorn” (2021), mas a ligação do grupo à organizadora e a Portugal permitiu não cancelar o concerto, como o resto da digressão, antes programar uma rara atuação acústica.

No segundo fim de semana, de 13 a 15 de outubro, o destaque vai para nomes como Godspeed You! Black Emperor, Fennesz, Envy, Deafheaven e Anna Von Hausswolff, fechando o último dia com o projeto português Scúru Fitchádu.

A programação inclui vários nomes nacionais, de Luís Fernandes a O Gajo, passando por Process of Guilt e Indignu, estes últimos a tocar o novo disco, “Adeus”.

Este regresso, ao fim de três anos sobre a última edição do festival, faz-se depois de atravessar “dois anos muito duros para toda a gente”, com a pandemia de COVID-19, e obrigou a “pensar em grande”, diz à agência Lusa André Mendes, da Amplificasom.

“É a edição mais ambiciosa de sempre, a mais necessária de sempre. Estamos todos a precisar de cansar o corpo, sair do Amplifest de alma cheia, com tudo o que estamos a propor. Um cartaz eclético. (...) Estávamos habituados a dois dias, de repente são três mais três. No fundo, são três Amplifests ao mesmo tempo”, afirma.

Com mais dias, mais espaço para programar, houve “mais margem de manobra para ser ainda mais arrojado”, em vez de “programar bandas semelhantes atrás de bandas semelhantes” ou de “ter uma banda portuguesa para dizer que se tem uma banda portuguesa” no cartaz.

“A linguagem do Amplifest sempre foi a de ter cartazes ecléticos. Não é de agora. (...) Como são seis dias, adoro o facto de termos Fennesz, Peter Broderick, The Bug, Scrutu Fitchadu, adoro que o Amplifest não seja refém de nenhum estilo. Ao início foi difícil o pessoal aperceber-se de que isto não é um festival de metal, é uma experiência, [mas] acho que já há algumas edições (...) as pessoas se aperceberam”, conta.

Hoje em dia, “não há cabeças de cartaz”, sejam os Wolves in the Throne Room, um dos maiores projetos de metal dos dias de hoje, e que aqui arrancam ainda de tarde, ou grupos que ainda estão a estabelecer-se, mas cuja sonoridade possa trazer algo diferente.

“A narrativa [implícita no cartaz] é pensada de forma a que tenhas experiências e emoções diferentes durante o dia. (...) É para ser um ambiente extremamente relaxado. Sair do Hard Clube com a alma cheia. O corpo pesado, mas a alta cheia”, atira.

O público responde, esgotando os passes e bilhetes e vindo de 35 países diferentes, de “quase todos os países europeus”, mas também de outros continentes, trazendo pessoas que “ficam 10 dias no Porto, a consumir e viver isto” e outras coisas pela cidade.

Como as bandas que já contactaram para ‘entrar’ na edição de 2023, a adesão do público é uma recompensa para uma organização “de melómanos para melómanos”, que assenta “numa estrutura ‘do it yourself’” e que tem, reconhece André Mendes, “muitos obstáculos para ultrapassar”, seja na organização do festival ou na promoção de concertos, ao longo dos últimos 16 anos.

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