De acordo com a página oficial da fundação no Facebook, David Pinheiro Vicente, de 24 anos, é um dos seis participantes da residência a decorrer de março a julho do próximo ano, durante a qual vai desenvolver o seu primeiro projecto de longa-metragem, "A Casa do Vento", como o realizador disse à Lusa.

"Esta é apenas a segunda vez que um realizador português é selecionado. Trata-se de um feito do qual me orgulho muito, em especial por estar a dar os primeiros passos", escreveu Pinheiro Vicente, na sua mensagem.

Em 2016, Nuno Baltasar, realizador da curta-metragem "Doce Lar", foi o primeiro português selecionado para esta residência.

A Cinefondation tem por objetivo apoiar jovens cineastas em início de carreira, nomeadamente através de residências artísticas bianuais, em curso desde 2000, destinadas ao desenvolvimento de primeiros projetos.

David Pinheiro Vicente nasceu nos Açores, estudou Cinema e Estética, na Escola Superior de Teatro e Cinema, foi diretor de arte de várias curtas-metragens e séries de televisão, e assistente da cineasta Salomé Lamas, realizadora de documentários como "El Dorado" e "Terra de Ninguém".

"O Cordeiro de Deus", uma coprodução luso-francesa selecionada este ano para as competições do IndieLisboa e do Festival de Cannes, é a segunda curta-metragem do realizador, depois de "Onde o Verão Vai (Episódios da Juventude)", filme de escola que teve estreia mundial em 2018, no festival de cinema de Berlim, na competição Berlinale Shorts.

Esta 'curta' foi entretanto exibida em mais de 40 festivais, recebeu menções honrosas em San Sebastian e Telavive, assim como o prémio de melhor 'curta' no Festival de Vila do Conde, em 2018. O canal Arte-ZDF incluiu-a na sua programação.

"O Cordeiro de Deus" foi adquirido para exibição em televisão e online pelo canal Arte France.

Em entrevista à Lusa, em agosto, a propósito da exibição desta curta-metragem no IndieLisboa, David Pinheiro Vicente disse que o filme “consegue mostrar um bocadinho que as pessoas não são movidas por um ímpeto moral ou pela sua dignidade ou porque têm um objetivo muito grande, como a noção de herói faz crer”.

“Acho que somos sempre movidos por desejos, perigos, pequenas traições, toda uma espécie de teia que vai acontecendo e que nos vai movendo, que nos vai movendo no dia-a-dia e nas pequenas coisas. Tudo o que se passa é isso, não são propriamente objetivos definidos, não há propriamente heróis, são pessoas que vão fazendo os seus dias e eu tento mostrar um pouco isso que está por trás”, afirmou.

Na altura, o realizador estava a concluir a tese de mestrado em Filosofia/Estética, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e mantinha-se “a escrever coisas, sempre a pensar no próximo projeto".

Este ano, David Pinheiro Vicente foi também incluído na lista dos dez "Próximos Jovens Realizadores" da Academia Europeia de Cinema, e entre os "Dez Novos Realizadores a Seguir", pela European Film Promotion.

Além de David Pinheiro Vicente, a próxima sessão da Cinefondation Residence abrange Lucía Aleñar Iglesias, de Espanha, Behzad Azadi, do Irão, Marta Hernaiz Pidal, do México, Inbar Horesch, de Israel, e Sameh Morsy, do Egito.

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