O cinema enquanto meio para responder a perguntas, um exercício de curiosidade, é o que propõe Paulo Carneiro em "Bostofrio, où le ciel rejoint la terre", filme que lhe assinala a estreia na realização, no sábado, em Lisboa.

O documentário, de traços biográficos, é uma das cinco longas-metragens selecionadas para a competição nacional do festival IndieLisboa, e o único a cumprir a estreia mundial.

Paulo Carneiro, lisboeta de 28 anos, rumou à aldeia transmontana de Bostofrio (Boticas), em busca de respostas para uma história familiar, de um avô paterno que não perfilhou os filhos.

"Sempre foi uma coisa pouco falada [na família] e comecei a achar que poderia ser um assunto para levar para o cinema a partir do momento em que me começo a interessar por cinema", contou à agência Lusa Paulo Carneiro, que começou no cinema em 2011, como montador e assistente de realização.

Essa busca por respostas sobre o passado familiar, recuado há mais de 50 anos, dá o mote a um documentário que regista ainda a vida rural numa aldeia barrosã, do interior do país, com pouco mais de 30 habitantes, profundamente ligada à terra.

No filme, o realizador está quase sempre presente no enquadramento, conversando com os habitantes em casa ou no campo, desenrolando o novelo da história dos avós paternos, sobre a qual pouco conhecia.

Paulo Carneiro quis fazer o filme para o pai, mas cumpre também esse objetivo de "mostrar que a curiosidade é uma coisa boa", confrontando o espectador com a dinâmica de uma aldeia com uma riqueza de território, de língua e vocabulário, disse.

"Mostra que o cinema nos pode dar algumas respostas e é um bocado esse jogo que eu acho que é interessante fazer", disse.

"Bostofrio, où le ciel rejoint la terre" teve um processo longo de produção e rodagem durante dois anos, com um orçamento reduzido, que faz jus à condição de independente. "Foi quase uma coisa feita entre amigos, entre rodagens de outros filmes, com pessoas que conheci noutras rodagens de outros filmes", contou.

Apesar dos escassos recursos, Paulo Carneiro não deixa de elogiar: "Em Portugal ainda se conserva a liberdade de fazer os filmes como os queremos fazer".

"Bostofrio, où le ciel rejoint la terre" tem estreia no sábado, no grande auditório da Culturgest, em Lisboa, e repete exibição a 05 de maio.

Sem previsão de estreia comercial, Paulo Carneiro espera poder fazer uma projeção na aldeia de Bostofrio.

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