A tese de sabotagem no incidente na rodagem de "Rust" em que o ator Alec Baldwin matou a diretora de fotografia Halyna Hutchins e feriu o realizador Joel Souza foi rejeitada pela procuradora do Ministério Público em Santa Fe responsável pela investigação.

"Os procuradores têm de se basear em factos e em provas", disse a procuradora Mary Carmack-Altwies esta quarta-feira em entrevista exclusiva ao programa da manhã Good Morning America, no canal ABC, referindo-se ao facto de que não se vai apressar o processo e está de "mãos atadas" até que o departamento do xerife lhe entregue todas as provas e se podem passar meses até ter todos os elementos para decidir se avança com acusações criminais.

Mary Carmack-Altwies

Na semana passada, os advogados da armeira Hannah Gutierrez Reed tinham sugerido que alguém pode ter colocado deliberadamente no set a bala verdadeira que matou a diretora de fotografia Halyna Hutchins como um ato de "sabotagem".

A maior controvérsia parece ser como é que existia munição verdadeira no 'set' do 'western' de baixo orçamento.

"Ainda não temos uma resposta para isso. Sei que alguns advogados de defesa apareceram com teorias da conspiração e usaram a palavra 'sabotagem'. Não temos qualquer prova", disse a procuradora, que acrescentou não acreditar que seja uma hipótese neste caso.

Mas a responsável pela investigação esclareceu que se tivesse existido 'sabotagem', isso colocaria em cima da mesa "certamente um nível mais elevado de acusação de homicídio do que potencialmente estaríamos a ponderar com os factos que temos agora".

"Não temos a mesma informação que têm os advogados de defesa. Mas até a termos na nossa posse, não faz parte do processo de tomada de decisão", continuou.

O eletricista Serge Svetnoy e a diretora de fotografia Halyna Hutchins (Facebook)

A procuradora diz estar preparada para esperar meses até que a investigação sobre a morte de Halyna Hutchins seja concluída, mas as provas já reunidas levam-na a acreditar que a tragédia podia ter sido evitada: "Acho que a coisa mais preocupante é que houve tantos níveis de falha naquele set".

A procuradora confirmou que foi encontrada mais munição verdadeira e sabe a quantidade, mas não pode divulgar essa informação.

As "implicações legais" da existência dessa munição causam preocupação: "Ainda não sabemos como apareceram no set e acho que como lá chegaram será um dos fatores mais importantes a ponderar na tomada de decisão sobre acusações. Provavelmente é mais importante prestar atenção no que aconteceu até ao disparo, porque pelo menos sabemos que o senhor Baldwin não sabia que a arma estava carregada no momento do disparo. Portanto, é mais [sobre] como essa arma foi carregada, que níveis de falha aconteceram e se esses níveis de falha foram criminosos".

As qualificações da armeira Hannah Gutierrez Reed, que se tornaram uma das controvérsias após o incidente, serão um dos temas a abordar num segundo interrogatório que irá ter lugar, esclareceu Mary Carmack-Altwies.

A identidade da pessoa que carregou a arma também já é conhecida pelos investigadores e embora a procuradora tenha recusado avançar com mais detalhes, rejeitou a versão de que o assistente de realização Dave Halls não tinha tirado a arma de um carrinho de adereços, como tinha indicado na semana passada a sua advogada de defesa, antes de a entregar a Alec Baldwin.

Estavam cerca de 100 pessoas na rodagem na altura do incidente e cerca de 55 já foram interrogadas.

"Inicialmente, todos cooperaram muito, mas acrescentar advogados acrescenta um nível extra de complicação. Não temos leis que tenham sido escritas para este tipo de incidente", esclareceu Mary Carmack-Altwies.

Apesar de todas as dúvidas por esclarecer, serão apresentadas acusações "se as circunstância o justificarem".

"Daremos o nosso melhor para fazer justiça a Halyna Hutchins e a Joel Souza", concluiu.

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