O grupo de jornalistas estrangeiros que criou os Globos de Ouro e recentemente esteve envolvido em vários escândalos vai dissolver-se com a passagem dos prémios para as mãos de investidores privados, incluindo o multimilionário norte-americano Todd Boelhy, foi anunciado esta segunda-feira.

Criada em 1943, a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês), composta por cerca de cem jornalistas da área do entretenimento ligados a publicações internacionais, tem entregue os Globos a estrelas do cinema e da televisão há oito décadas.

No entanto, acusações de corrupção, racismo e práticas antiéticas levaram a um boicote contra a associação e os prémios no ano passado, bem como a um apelo por mudanças.

"Este dia é um marco significativo na evolução dos Globos de Ouro", disse Boehly, cuja empresa Eldridge se associou à Penske Media Corporation para chegar a um acordo.

A mudança de controlo "resultará no fim da HFPA e do seu grupo de membros", afirmou um comunicado conjunto.

Não foi anunciado um cronograma para a dissolução da HFPA, mas nos últimos anos o grupo responsável por votar nos Globos de Ouro expandiu-se e diversificou a sua composição.

Atualmente, uma mistura de membros da HFPA e jornalistas de entretenimento à volta do mundo que não são membros da associação escolhem os vencedores.

Após a dissolução do grupo, os seus recursos serão utilizados para criar uma organização sem fins lucrativos focada em eventos de caridade relacionados com o entretenimento que já existiam.

Isso inclui pelo menos 44 dos 48 milhões de dólares que a associação receberá pela venda dos Globos de Ouro, de acordo com uma carta do procurador-geral da Califórnia à qual a France-Presse teve acesso.

Os Globos de Ouro foram originalmente criado por correspondentes estrangeiros baseados em Los Angeles que cobriam a indústria do entretenimento nos anos 1940.

Na década de 1990, os organizadores acumularam muito poder em Hollywood devido a acordos lucrativos para a transmissão televisiva da cerimónia, recheada de estrelas.

Porém, em 2021, uma reportagem do Los Angeles Times revelou que a HFPA não possuía membros negros, além de realizar práticas questionáveis. No ano seguinte, a estação norte-americana NBC retirou o programa do ar.

Num último acordo com a NBC e após mudanças internas, a cerimónia regressou à televisão este ano, mas a audiência caiu para um recorde de 6,3 milhões de telespectadores, e vários dos vencedores mais importantes decidiram não comparecer.

Não se sabe quem vai votar nos prémios e não há acordo para a transmissão televisiva da cerimónia do próximo ano, que está prevista para acontecer a 7 de janeiro.

Boelhy também é presidente do clube de futebol Chelsea, da Premier League inglesa.

A sua empresa, Eldridge Industries, é proprietária da Dick Clark Productions, responsável pela transmissão dos Globos de Ouro, e parte do Beverly Hilton Hotel, onde se realiza a cerimónia.

Ele também é proprietário minoritário de várias publicações de Hollywood, incluindo The Hollywood Reporter, e do estúdio de cinema independente A24, responsável por filmes premiados como "Tudo em Todo Lado ao Mesmo Tempo" e "A Baleia".

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