O Festival de Cannes iniciou a corrida pela Palma de Ouro esta quarta-feira com o filme "Tchaikovsky's Wife", do cineasta russo Kirill Serebrennikov, crítico do seu governo, e com Tom Cruise a garantir o glamour na passadeira vermelha com seu novo "Top Gun".

O filme do cineasta russo, sobre a tumultuosa relação entre o famoso compositor e a sua esposa Antonina Miliukova, é um dos 21 títulos em disputa este ano pela distinção máxima do festival.

"Toda a obra de arte, atualmente, tem um conteúdo político [...] A nossa declaração é sobre a arte, a liberdade e também a fragilidade da natureza humana, de cada vida", disse Serebrennikov, de 52 anos, em conferência de imprensa.

A arte "é estritamente contra a guerra", acrescentou o cineasta, conhecido por se posicionar a favor da comunidade LGBTQ+.

A sua presença era muito esperada, já que em outras edições, nas quais disputou a Palma com "Petrov's Flu" (2021) e "Leto" (2018), não pôde comparecer porque cumpria pena por desvio de fundos, um caso denunciado pelos seus defensores como uma manobra política.

Serebrennikov, filho de uma ucraniana, relatou recentemente à France-Presse o seu "horror, tristeza, vergonha e dor" perante a invasão russa da Ucrânia.

Os organizadores do concurso posicionaram-se desde o início da ofensiva russa, no final de fevereiro, e anunciaram que não receberiam "representantes oficiais russos, instâncias governamentais ou jornalistas da linha oficial".

A participação por videoconferência do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na cerimónia de abertura na terça-feira confirmou o tom político desta edição.

"Um novo Chaplin"

"Precisamos de um novo [Charlie] Chaplin que demonstre que o cinema não está mudo", disse Zelensky a um auditório de estrelas.

O festival incluiu na sua programação vários realizadores ucranianos, como o veterano Serguei Loznitsa e Maksim Nakonechnyi. Também apresenta o filme "Mariupolis 2", do lituano Mantas Kvedaravicius, morto em abril nesta cidade ucraniana.

O presidente do júri, o ator francês Vincent Lindon, declarou na terça-feira que espera que o clima "seja digno, respeitoso [...] e que seja uma homenagem aos que vivem dias muito mais difíceis que os nossos".

Outro filme com apresentação esta quarta-feira é "The eight mountain", dos belgas Felix Van Groeningen e Charlotte Vandermeersch, sobre a amizade de dois miúdos, um que vive na cidade, outro na montanha.

Sem dúvida, o momento mais esperado do dia será durante o fim da tarde, com "Top Gun: Maverick", de Tom Cruise.

A chegada à passadeira vermelha da estrela de Hollywood, de 59 anos, promete ser espetacular. A Patrulha da França, esquadrão de acrobacias da Força Aérea, sobrevoará a Croisette durante a festa.

Cruise, que visitou o grupo pela manhã, "inspirou uma geração de pilotos", partilhou a patrulha nas redes sociais, juntamente com fotos com o ator.

Cruise esteve em Cannes pela última vez em 1992 com "Horizonte Longínquo", ao lado da sua esposa à época, Nicole Kidman. Agora, ele regressa na pele do veterano aviador Maverick, encarregue de treinar uma equipa de novos "ases indomáveis" para uma missão perigosa.

Ao contrário de outros grandes nomes de Hollywood, como Kevin Costner, Mel Gibson e Bruce Willis, o ator conseguir manter-se em alta na maior parte dos seus 40 anos de carreira, inclusive nos tempos atuais, quando os super heróis dominam o setor.

Com a sua presença, o festival mantém a tradição de receber um grande número de estrelas da Sétima Arte na sua passadeira vermelha, por onde passaram nos anos recentes nomes como Brad Pitt, Leonardo Di Caprio e Cate Blanchett.

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