Chris Rock quebrou o silêncio esta quarta-feira sobre a bofetada que recebeu de Will Smith durante a cerimónia dos Óscares no domingo.

"Como é que foi o vosso fim de semana?", disse o comediante ao abrir o seu espetáculo de comédia em Boston, no âmbito da sua digressão “Ego Death Tour", de acordo com imprensa americana.

Vestido de branco e ovacionado de pé pelo público, segundo a Variety, Rock começou a sua apresentação de 75 minutos às 19h30 locais dizendo que não tinha nada de especial preparado para falar sobre o incidente de domingo.

"Não tenho muito para dizer sobre o que aconteceu, portanto se vieram para me ouvir falar sobre isso tenho um espetáculo inteiro que escrevi antes desde fim de semana. Ainda estou a processar o que aconteceu, portanto em alguma altura irei falar sobre essa m****. Será sério. Será engraçado, mas neste momento vou contar algumas piadas. Já é bom sair de casa", disse aos espectadores da sessão esgotada de mil lugares-

Academia pede desculpa a Chris Rock. Óscares: Will Smith não quis sair da cerimónia após agressão

O espetáculo de Chris Rock aconteceu no mesmo dia em que surgiu uma revelação inédita sobre a cerimónia: Will Smith recusou o pedido para abandonar a sala do Dolby Theatre após a agressão.

A surpreendente revelação está no comunicado que saiu da reunião do Conselho de Governadores (onde estão representantes de todos os ramos da Academia, como atores, realizadores, etc.), que se reuniu por zoom esta quarta-feira para analisar o que aconteceu. Os responsáveis da Academia e os produtores tinham sido muito criticados por Will Smith ter permanecido na sala e subido outra vez ao palco para receber o seu Óscar de Melhor Ator por "King Richard".

Além de um pedido de desculpas formal a Chris Rock e a todos os "nomeados, convidados e espectadores", o texto tem as palavras mais fortes contra a conduta de Will Smith, após uma primeira reação nas redes sociais duas horas após o fim da cerimónia ("A Academia não tolera qualquer tipo de violência") e um comunicado na segunda-feira ("A Academia condena as ações do senhor Smith no evento de ontem à noite"), descritos como pífios.

A 18 de abril poderá sair uma decisão e nada está fora da mesa, incluindo "suspensão, expulsão ou outras sanções".

Seguindo os procedimentos da Academia dos Óscares e das leis no Estado da Califórnia, Will Smith foi notificado e terá primeiro 15 dias para ser ouvido por escrito em relação aos "procedimentos disciplinares" que foram iniciados por violação do Código de Conduta da organização.

As acusações contra o ator incluem "contacto físico inapropriado, comportamento abusivo ou ameaçador e comprometer a integridade da Academia".

"As ações do senhor Smith nos 94.º Óscares foram um evento profundamente chocante e traumático para testemunhar pessoalmente e na televisão. Senhor [Chris] Rock, pedimos desculpas pelo que passou no nosso palco e agradecemos a sua resiliência naquele momento", destaca o comunicado oficial.

"Também pedimos desculpas aos nossos nomeados, convidados e espectadores pelo que aconteceu durante o que deveria ter sido um evento de celebração", acrescenta o Conselho de Governadores.

"As coisas desenrolaram-se de uma maneira que não poderíamos ter previsto. Embora gostássemos de esclarecer que o senhor Smith foi convidado a deixar a cerimónia e recusou, também reconhecemos que poderíamos ter lidado com a situação de forma diferente", conclui o texto.

A Academia está sob forte pressão para responder adequadamente ao incidente que ofuscou a cobertura dos prémios e roubou todas as atenções.

Na segunda-feira à noite, Will Smith pediu desculpas públicas a Chris Rock pela sua agressão na cerimónia dos Óscares.

O vencedor do Óscar por "King Richard: Para Além do Jogo", escreveu no Instagram: "A violência em todas as suas formas é tóxica e destrutiva. O meu comportamento nos Óscares de ontem à noite foi inaceitável e imperdoável. Piadas às minhas custas fazem parte do trabalho, mas uma piada sobre a condição médica da Jada [Jada Pinkett Smith] foi demais para mim e reagi emocionalmente. Gostaria de pedir desculpas publicamente a ti, Chris [Rock]. Passei dos limites e estava errado. Estou envergonhado e as minhas ações não foram indicativas do homem que quero ser. Não há lugar para violência num mundo de amor e bondade".

A mensagem acrescentou: "Também quero pedir desculpas à Academia, aos produtores do espetáculo, a todos os participantes e a todos os que assistiram à volta do mundo. Queria pedir desculpas à Família Williams e à minha Família 'King Richard'. Lamento profundamente que o meu comportamento tenha manchado o que de outra forma tem sido uma jornada maravilhosa para todos nós".

"Sou um trabalho em progresso", concluiu.

A mensagem contrasta com a atitude muito criticada de festa e despreocupação nas imagens da festa pós-Óscares da revista Vanity Fair, onde chegou com a família e uma grande equipa e disse que estava tudo bem.

Will Smith com a família à entrada da festa da revista Variety[/caption]

O escândalo foi provocado por uma brincadeira de Chris Rock sobre a cabeça rapada de Jada Pinkett Smith, esposa de Will Smith, que sofre de alopecia, o nome médico para a perda de cabelo.

Apesar de ter inicialmente rido, o ator de 53 anos levantou-se, subiu a palco, deu uma bofetada ao comediante e regressou ao lugar, de onde gritou duas vezes: "Mantenha o nome da minha mulher fora da sua 'fucking mouth'".

Os palavrões foram cortados na emissão nos EUA aproveitando os sete segundos de 'delay', mas não a nível internacional e rapidamente o momento se tornou viral.

Veja o momento no vídeo abaixo:

Numa cerimónia em que tudo é planeado ao detalhe, os presentes no local e quem assistia em casa começaram por achar tratar-se de uma brincadeira encenada, mas rapidamente ficou claro que o momento tinha sido genuíno e tinha mesmo sido uma espécie de rixa e não uma rábula.

Chris Rock continuou com a sua apresentação dos nomeados para Melhor Documentário de forma muito profissional, mas debaixo de uma evidente tensão após dizer "Uau, o Will Smith acabou de me bater" e "Esta foi... a maior noite na história da televisão".

Segundo a revista The Hollywood Reporter, assim que chegou o intervalo, a CEO da Academia Dawn Hudson e o presidente David Rubin, acompanhados do porta-voz da organização, correram para os bastidores com "o ar mais sério que se pode ter" e entraram apressadamente numa sala privada com Meredith O’Sullivan Wasson, a publicista do ator.

Hudson e Rubin nunca regressaram aos seus lugares e a publicista passou os intervalos seguintes a deslocar-se entre os bastidores e o lugar do ator.

Também os atores Denzel Washington e Bradley Cooper, assim como o realizador Tyler Perry, terão falado com Will Smith durante a pausa na cerimónia.

Ao receber mais tarde a estatueta de Melhor Ator por "King Richard: Para Além do Jogo", este referiu indiretamente o momento de tensão com Chris Rock por algumas vezes no seu discurso.

O ator começou o discurso dizendo "o Richard Williams era um defensor feroz da sua família", numa aparente alusão ao incidente.

"Neste momento da minha vida, estou dominado pelo que Deus me destina a fazer no mundo", disse ainda. "Nesta indústria temos de estar habituados a ter pessoas a desrespeitarem-te e sorrir perante isso", acrescentou.

Smith mencionou igualmente o ator Denzel Washington, que tentou acalmar, lembrando-lhe que, "no momento mais alto, é quando o diabo nos tenta".

No meio do discurso e sem referir diretamente o momento com Chris Rock, Will Smith acabou por pedir desculpa: "Quero pedir desculpa à Academia e aos meus colegas nomeados. O amor faz-nos fazer coisas loucas". E terminou dizendo "espero que a Academia volte a convidar-me".

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