Protagonizada pela comediante e cantora norte-americana Bridget Everett (com quem o SAPO Mag também falou), "Somebody Somewhere" é a história do regresso a casa de uma mulher, Sam, ainda a lidar com a morte da irmã enquanto tenta reconstruir a sua vida.

Ambientada numa pequena comunidade do Kansas, terra-natal da atriz, a série cujo primeiro de sete episódios chegou à HBO Portugal na passada segunda-feira, 17 de janeiro, é produzida pelos irmãos Duplass ("Togetherness", "Room 104") e foi criada por Hannah Bos e Paul Thureen, cujo percurso tem passado pela dramedy norte-americana na escrita de episódios de "High Maintenance" ou "Mozart in the Jungle" e do filme "Driveways".

"Tivemos a sorte de participar noutras séries antes de criarmos esta e aprendemos muito com elas sobre estrutura", assinala Hannah Bos ao SAPO Mag numa mesa redonda internacional via Zoom. "Sinto que gostamos de histórias que não são exatamente aquilo de que se está à espera", complementa.

Hannah Bos e Paul Thureen
créditos: AFP

"Não somos propriamente argumentistas de comédia, mas gostamos muito do humor negro que nasce no mundo real. As pessoas desta série são divertidas porque se divertem juntas", explica Paul Thureen.

"É divertido ver um mundo que ainda não vimos, mas assegurar que os detalhes estão corretos, a beleza do local também, e a complexidade, a face sombria, torna esta uma experiência muito mais rica".

"Queríamos estar do lado das personagens"

"Somos ambos do Midwest", conta Hannah Bos. "O Paul é do Illinois, eu sou do Minnesota. E muitas séries sobre sítios como estes acabam por gozar com a parolice e a pequenez. Nós queríamos estar do lado das personagens em vez de fazer observações sobre elas. Queríamos ser honestos, autênticos e educados, como muitos sítios destes são. Mas também há muito humor no lado genuíno destes locais e queríamos mostrá-lo".

"Discutimos muito sobre os diálogos e tentámos chegar à forma menos cretina de uma personagem dizer alguma coisa sem que deixe de ser engraçada. [risos] Queremos que as pessoas gostem destas personagens", garante.

"E se a Bridget Everett não tivesse saído da sua cidade-natal para uma cidade grande, como vemos em tantas séries e filmes, mas tivesse ficado e tentado perceber como explorar os seus sonhos a partir daí?", questiona Paul Thureen ao apresentar a premissa de "Somebody Somewhere".

Somebody Somewhere

"A Bridget foi um grande barómetro deste mundo. Se a comida ou o que as pessoas dissessem não parecessem autênticos do Kansas, ela mudava-os", recorda. "Julgo que falo por todos ao dizer que [a série] é uma carta de amor aos sítios onde crescemos e às pessoas que não costumam ser retratadas desta forma".

Hannah Bos concorda. "Acho que nunca vimos uma série assim, ambientada num lugar como este e com personagens destas. Fazem o que adoram sem sair da cidade de onde são. É sobre olhar para o seu lar de uma nova forma e encontrar beleza no mundano".

"Não estamos habituados a que as pessoas olhem para nós, por isso colocámos muita pressão sobre nós próprios para acertarmos", acrescenta o cocriador.

Trailer de "Somebody Somewhere":

De uma morte a uma mudança de vida

"Somebody Somewhere" arranca com a protagonista entorpecida, numa rotina sem mudanças nem estímulos à vista, ainda a processar a morte de uma irmã que acompanhou na fase terminal de uma doença prolongada. "Esta perda afetou muito a família dela. Ainda não são capazes de falar disso, o que me parece muito comum. Há muitas pessoas que não gostam de falar dos seus sentimentos", observa Thureen.

"Falamos muito de luto na série e é algo que não se vai embora. Está sempre lá e não desaparece por magia por se arranjar um namorado, um emprego fixe ou abrir uma discoteca. Queríamos ser o mais honestos possível em relação a quem está de luto", refere Bos.

Somebody Somewhere

Ainda assim, a experiência do luto não sufoca o dia a dia da protagonista por muito tempo, ou não fosse esta uma história sobre "acordar e viver a vida ao máximo, não nos arrastarmos como sonâmbulos e fazermos verdadeiramente aquilo de que gostamos", salienta a cocriadora. "Temos muita sorte por a HBO nos ter deixado contar a história da Sam a um ritmo muito diferente do de outras séries. Não há ninguém a mudar a Sam, ela vai-se apercebendo de situações, muda e começa a fazer coisas", avança.

"É ótimo estrear uma série em 2022 que tem uma mensagem positiva, não é sarcástica, e tem muito coração. Isso faz-me sentir-me muito bem sobre o que estamos a fazer", confessa. E assume não quer ficar por aqui. "Estou a fazer figas para uma segunda temporada". Por enquanto, fica a sugestão da primeira, com novos episódios a chegar à HBO Portugal todas as segundas-feiras.

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