Nasceram no final dos anos 1990 e tornaram-se numa das bandas mais populares de Portugal. A completar 23 anos de carreira, os Santamaria somam uma mão cheia de sucessos - "Eu Sei, Tu És...", "Falésia do Amor" ou "Castelos na Areia" são alguns exemplos - e são acompanhados por uma legião de fãs, a muitos dos quais chamam de família.

Com mais de 20 anos de estrada, este foi primeiro verão em que não animaram o público de norte a sul do país. Além do cancelamento dos concerto devido à pandemia da COVID-19, a banda perdeu Tony Lemos, músico do grupo que morreu em outubro.

Para recordar o músico e irmão da vocalista do grupo, os Santamaria editaram o single "Amar Querer Acreditar", tema criado por Tó Lemos. Em entrevista ao SAPO Mag, Filipa Lemos conta que o irmão já tinha o tema preparado há três anos. "Este tema já tinha sido composto pelo meu irmão há três anos. Ele ainda não tinha mostrado o tema à banda. Há um ano e qualquer coisa que vivo entre o México e Portugal - o meu marido está a trabalhar no México e a minha filha também está cá e eu divido-me um bocadinho pelos dois países. Quando regressei no verão a Portugal, o meu irmão mostrou-me este tema. Explicou-me que o tinha composto, mas que ainda não tinha letra para o tema e achava que era um tema importante porque nós sempre trabalhamos muito a parte das baladas", recorda.

"Em estúdio, trabalhamos a parte da letra com o Rui Baptista e gravámos o tema, como gravámos outros para o próximo álbum da banda", começa por explica a cantora, lembrando que a sua filha também gravou uma parte do novo single.

"A letra é muito forte e com palavras de esperança", frisa Filipa Lemos. "Vou sempre associar esta canção ao meu irmão porque foi uma criação dele, foi uma canção que estivemos a trabalhar durante o verão. Depois de tudo o que aconteceu, fazia sentido que antecipássemos um bocadinho o lançamento para o homenagear", frisa Filipa Lemos. "O que aconteceu foi  uma situação com a qual não estávamos a contar, tínhamos tudo programado noutro sentido... fomos apanhados com este golpe complicado e, ele não estando cá fisicamente, fazia sentido que antecipássemos o lançamento. E também serve para explicar às pessoas que seguem a banda que estávamos a trabalhar e que ele também estava incluido neste trabalho", lembra.

"É uma homenagem ao trabalho que ele fez durante todos estes anos", acrescenta a cantora.

O novo tema serve também como presente para os fãs, depois de um verão afastados dos palcos. "Tem sido complicado porque sempre fomos um grupo de palco. Tudo bem, fazemos a parte de estúdio, vamos à televisão... mas ficámos sem a parte da estrada e é lá que nos sentimos bem. É esse o nosso mundo. Foi muito complicado porque sempre gostei dessa parte de interação com as pessoas, sempre foi muito importante para nós para percebermos o que pretendiam do nosso trabalho, para ouvirmos as ideias dos nossos fãs e admiradores para limarmos algumas arestas", confessa Filipa Lemos.

"Este ano foi muito penoso para nós e penoso a todos. Sentimos muito a falta do contacto com as pessoas. Temos fãs que já não são fãs, são uma família alargada, e com quem temos um contacto muito direto... mas não é a mesma coisa", sublinha.

Em conversa com o SAPO Mag, Filipa Lemos recorda ainda o início da aventura com os Santamaria. "Lembro-me que tinha entrado para a faculdade, ainda não tinha acabado o primeiro ano, e foi muito complicado coordenar as nossas vidas. Foi difícil. Fizemos 150 concertos no primeiro ano dos Santamaria. Foi muita pressão. E foram muitas as alegrias que tivemos nestes anos todos, a banda já vai fazer 23 anos, e isso faz-nos falta", confessa.

"Gostava de ter uma máquina do tempo e com essa máquina do tempo poder regressar ao passado ou avançar no tempo, para tentar impedir algumas coisas. É como tudo, o querer e o ser são coisas diferentes. Mas, gostava de poder voltar atrás alguns anos e depois apagar o ano de 2020, tem sido um ano muito penoso para todos", acrescenta a vocalista da banda.

"O regresso aos palcos depende da evolução da pandemia. Gostava muito que as coisas no próximo ano fossem muito diferentes, mas não sei se vai acontecer. Fico um pouco assustada com a gestão da pandemia, está a ser um bocadinho complicado a nível europeu", confessa.