Florencia Grimaldi, protagonista interpretada pela soprano Aylin Pérez, é uma grande diva que, após ter triunfado nos principais palcos de ópera do mundo, viaja num barco a vapor no início do século XX rumo a Manaus, sede da lendária ópera no coração da Amazónia brasileira. Ela vai em busca do seu amor perdido, um caçador de borboletas desaparecido na selva.

"É maravilhoso ter um novo trabalho que as pessoas não conhecem tão bem, embora não seja assim tão novo", disse à AFP Mary Zimmerman, diretora do MET, reconhecendo que os amantes de ópera têm dificuldade em abandonar o que já conhecem.

"Eles amam as suas tradições: ouvir as músicas várias vezes", diz.

É como visitar "um velho amigo", mas os amantes de ópera "deveriam fazer novos amigos", afirma.

A terceira ópera de Catán, encomendada pela Grande Ópera de Houston em 1996, e da sua libretista Marcela Fuentes-Berain, também mexicana, que estudou com o Prémio Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, lembra a obra do escritor colombiano "O Amor nos Tempos de Cólera".

Florencia en el Amazonas
créditos: AFP

Apesar de ser uma ópera relativamente nova, tem todos os elementos do romantismo: "é melódica, exuberante, parece Puccini. Às vezes, é muito colorida", descreve Zimmerman.

Também aborda um eterno dilema: escolher entre a carreira profissional ou o amor.

No navio "El Dorado", entre vegetação abundante, piranhas, bromélias, crocodilos, pássaros e a exuberância da selva, viajam três tipos de mulheres. Além da diva que alcançou o sucesso profissional em detrimento do amor, estão Rosalba, uma jornalista que prepara uma biografia da estrela e que não quer que o amor a desvie de seu caminho, e um casal farto um do outro, onde o desamor está presente.

No meio disso, uma violenta tempestade tropical vira o navio e, com ele, naufragam os princípios até então inamovíveis dos seus passageiros.

A produção de Zimmerman está repleta de nomes latinos: de Aylin Pérez, filha de imigrantes mexicanos e uma das estrelas em ascensão do MET, a Gabriella Reyes, que interpreta Rosalba, filha de imigrantes nicaraguenses, a mezzo-soprano espanhola Nancy Fabiola Herrera, o tenor guatemalteco Mario Chang, ou o cenógrafo Riccardo Hernández, nascido em Havana e criado em Buenos Aires.

Esta é a terceira obra em espanhol que ressoa no templo nova-iorquino da ópera, depois de "Goyescas", do compositor espanhol Enrique Granados, em 1916, e de "La vida Breve", de Manuel de Falla, apresentada dez anos depois.

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