A solo, Pedro Lucas é P.S.Lucas (o P de Pedro e o S de Silvério), assume-se como vocalista e vai a um “imaginário de uma canção que é em inglês, não americana mas uma espécie de pano inglês, de um inglês global – do que se utiliza para se falar com as pessoas que não falam a mesma língua”.

“Fez-me sentido, talvez porque escrevi estas canções em inglês, ir um bocadinho a este imaginário agora”, contou, em entrevista à Lusa.

As influências que mostra em “In Between” já o acompanham “há imenso tempo”, mas “provavelmente nunca houve tempo” para se dedicar a elas.

Entre as várias influências, Pedro Lucas admite haver uma “que é mais ou menos óbvia, que é o [Leonard] Cohen”.

“Depois há coisas um bocadinho mais específicas, que eu fui estudar até, de alguma forma. O Nick Drake, também já me acompanhava, mas que fui ouvir um pouco mais atenciosamente, o Georges Brassens e há um tema que tem um arranjo assim mais ‘Free Jazz’, que tem muito que ver com os Sun Ra e esse jazz mais espiritual dos anos 1970/80. Além disso, o Bill Callahan, os The National, coisas que fui ouvindo ao longo dos anos”, partilhou.

Entre os 11 temas que compõem “In Between”, há dois ou três “que já têm quase dez anos”. Mas o momento em que Pedro Lucas decidiu que se iria “dedicar e empenhar” numa coisa mais sua só aconteceu em 2017/2018.

Nessa altura, começou a ter aulas de voz, a “escrever um bocadinho mais” e foi pegar em canções “que tinha guardadas e já tinha escrito, umas em português e outras em inglês”. “Desta vez decidi pegar no filão do inglês e começa aí a desenhar-se o disco”, contou.

“In Between” foi totalmente escrito e composto por Pedro Lucas, embora tenha contado com a ajuda de um ‘corretor’, um amigo inglês “que fez uma revisão às letras, não fosse haver algum erro gramatical”, e de “uma espécie de um consultor, relaxado”, o músico Casper Clausen, que o ajudou “imenso, numa fase pós-aulas de canto, mas pré-gravação, a pensar as canções e a trabalhar um bocadinho a voz”.

O processo de criação acabou por ser “bastante solitário”, mas numa fase quase final, pré-gravação, Pedro Lucas juntou-se à banda que o acompanha em disco, “também como uma forma de redescobrir as canções, que já estavam um bocadinho cansadas”, porque era o repertório que tinha “para fazer os exercícios vocais nas aulas de voz”.

“Junto a banda e deixo que eles também tragam a sua parte e quase se reconstroem ali as canções”, disse.

Para o acompanhar neste projeto a solo, Pedro Lucas queria “criar uma constelação nova de músicos”, que o obrigasse “a afastar um bocadinho do universo de Medeiros/Lucas”.

Escolher os músicos – João Hasselberg (contrabaixo), David Eyguesier (guitarra elétrica) e João Sousa (bateria) - “foi muito fácil” e “foi muita sorte que eles tenham aceitado”.

Depois, acabou por convidar para participarem também no disco as cantoras My Larsdotter (de My Bubba) e Catarina Falcão (Monday e Golden Slumbers), o saxofonista Florent Manevoh, o percussionista Jerry The Cat, o baixista e teclista Augusto Macedo e o baterista Ian Carlo Mendoza, estes dois últimos músicos da banda de Medeiros/Lucas.

O concerto de apresentação de “In Between” está marcado para o dia 04 de fevereiro, em Lisboa, mas a sua realização vai depender das medidas de prevenção contra a covid-19.

Depois de ter o disco pronto, Pedro Lucas continuou a compor e já tem repertório “quase para um disco novo [a solo] em inglês”, mas também já começou a escrever em português.

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