Iniciada há cerca de um ano, esta série de trabalhos é um resultado de uma introspeção influenciada pela pandemia de COVID-19, mas também do conhecimento que adquiriu em programação informática enquanto estava em isolamento.

Durante os confinamentos em Londres, onde vive e trabalha, aprendeu programação informática e criou uma aplicação de realidade aumentada para telemóvel que consegue fazer surgir “elementos virtuais” em alguns dos quadros com os quais as pessoas podem interagir.

"A pandemia influenciou o trabalho nessa questão de olhar para o que eu tenho, mas ao mesmo tempo o desejo de querer sair lá para fora”, disse à agência Lusa.

Lami explicou a mostra: "É sobre o desejo e a nossa vontade de querer ir mais além procurar novos mundos, uma nova vida para além do nosso próprio planeta, mas ao mesmo tempo representa uma certa nostalgia daquilo que estamos a deixar para trás, que é o nosso planeta Terra, que é tão maravilhoso e nós não estamos a tomar tão bem dele quanto como devíamos”.

Vários dos quadros retratam figuras humanas ou animais com um capacete na cabeça, como se estivessem no espaço, numa realidade diferente, que pode ser virtual ou apenas fruto da própria imaginação.

"Muitas das pinturas que aqui estão falam de alguma forma do virtual, que eu acho que está relacionado com o imaginário e com a mente humana, como a mente humana funciona. Acho que o digital e a mente têm alguma coisa em comum na forma como funcionam”, descreveu.

Além de pinturas, a exposição inclui escultura, uma instalação com uma peça musical desenvolvida em parceria com o compositor António Sá-Dantas, e uma performance ao vivo.

"Ao longo da exposição, as obras ousadas de Hugo Lami refletem um mundo onde o antigo e o novo, o falso e o real, o artificial e o natural se encontram numa mistura fantástica e surreal de mito, ficção científica e cultura pop, desafiando-nos a reimaginar a realidade do micro e macrocosmos em que vivemos”, resume John Wilkins no catálogo.

A exposição, em curso até domingo, é promovida pela Neon Gallery, que representa o artista português após este ter vencido o Prémio de Artista Emergente promovido pela própria galeria em 2021.

“Além de um grande talento e sensibilidade, o Hugo tem um fascínio pela tecnologia. Queríamos um artista que respeitasse o passado, mas que olhasse para o futuro”, afirmou à Lusa o codiretor da galeria de arte, Dimitrios Tsivrikos.

O espaço de exibição, no centro de Londres, em Oxford Street, avenida conhecida sobretudo pelas lojas de roupa, foi escolhido com o “objetivo de democratizar o acesso à arte e chegar às audiências mais jovens”.

A exposição acontece durante a Frieze Week, a semana em que tem lugar a feira de arte Frieze, procurando assim atrair a atenção de programadores de arte, colecionadores e jornalistas que se deslocam à capital britânica para o evento internacional.

Hugo Lami tem uma obra multifacetada de pintura, escultura, instalação multimédia, performance e, mais recentemente, de arte digital.

Depois de uma licenciatura em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, completou um mestrado em escultura pelo Royal College of Art em Londres.

Desde 2014 que faz exposições em galerias e espaços institucionais e em 2018 produziu uma escultura pública em Ermioni, na Grécia.

Em 2019 recebeu o prémio do Público no VIA Arts Prize, criado em 2015 pelas embaixadas de Portugal, Espanha e países da América Latina e aberto a artistas residentes no Reino Unido inspirados pela cultura ibero-americana.

Atualmente participa numa exposição coletiva no Museu MU.SA, em Sintra, com o título "No Reino das Nuvens: os Artistas e a Invenção de Sintra” patente até domingo.

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