“Um contrabaixo, dois violoncelos, uma flauta e um metalofone” é a lista de instrumentos que a diretora da Escola de Música do Conservatório Nacional sabe de cor. Nas contas de Lilian Kopke seriam precisos entre cinco a seis mil euros para os comprar.

“Temos cinco alunos à espera. Não é uma verba muito grande, porque são instrumentos de estudo, não são de uma qualidade excecional, mas serviriam muito bem para estudarem. Nós esperamos conseguir comprar os instrumentos o mais rapidamente possível”, contou à Lusa a diretora da EMCN.

A prática de comprar instrumentos para ceder aos alunos não é de agora. É com dinheiro próprio da escola, angariado em concertos e espetáculos de alunos e professores, explicou Lilian Kopke.

O problema, explica, é que este ano a escola arrancou com mais um projeto - o Curso Profissional de Jazz – e precisou de fazer obras de insonorização. O dinheiro que gastaram, segundo a diretora, está muito próximo da estimativa do custo dos instrumentos.

Lilian Kopke garante que os trabalhos ficaram mais baratos porque contou com a mão-de-obra dos funcionários, que em agosto, insonorizaram a sala que agora é ocupada para as aulas de Jazz.

Além destes cinco alunos, a diretora queixa-se que faltam também instrumentos para lecionar. Desde setembro de 2018, data em que a EMCN começou a funcionar em instalações provisórias na Escola Secundária Marques de Pombal, “houve cinco pianos que já ficaram inutilizados”.

Os corredores da escola parecem cemitérios de pianos. Encostados à parede, há pianos de cauda e pianos verticais. Alguns com mais de 100 anos.

A solução encontrada foi colocar “um piano elétrico numa sala e houve um professor que doou um piano dele para ficar aqui”, contou Lilian Kopke, criticando o facto de "há décadas" muito haver um investimento em instrumentos.

“Isto é como uma frota. Renovam a frota de autocarros, renovam a frota de comboios quando estes deixam de ter vida. Os pianos têm uma vida muito longa, duram cem anos, mas depois acabou, têm mesmo de ser tocados”, criticou, explicando que chega um dia em que já não dá para voltar a afinar o instrumento.

À Lusa, Lilian Kopke diz que já enviou cartas ao presidente da República, ao primeiro-ministro, “que foi aluno do conservatório”, e também ao Ministério da Educação, apesar de saber “que essa verba não pode sair do ministério num ano normal”: “Não se pode tirar dinheiro das outras escolas para comprar pianos”, reconheceu.

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