Sofia Dias e Vítor Roriz, que trabalham em conjunto desde 2006, foram convidados pelo Teatro Luís de Camões (Lu.Ca) a criar um espetáculo para os mais novos, e o desafio para ambos foi contornar a narrativa habitual das histórias para crianças, que começam com "Era uma vez", como contaram à agência Lusa.

"Sons Mentirosos" - assim se chama o espetáculo - vai ao encontro da ideia que os coreógrafos têm sobre a imaginação das crianças: livre, elástica, sem pudores, com capacidade para transitar do concreto para o abstrato.

"Às vezes temos ideias pré-concebidas para as crianças e que os espetáculos devem ter uma narrativa, devem ter palavras. Quisemos ir ao encontro da capacidade imaginativa delas", de livre associação de conceitos, explicou Vítor Roriz.

O espetáculo, recomendado para crianças a partir dos três anos, conjuga movimento dos dois coreógrafos, com interpretação de Lewis Seivwright, Inês Melo Campos e Filipe Pereira, desenhos de Catarina Dias (Ephedra) e escultura de Gonçalo Barreiros.

A eles junta-se ainda Nuno Bento, no trabalho de criação de efeitos sonoros ('foley'), para o que acontece em palco.

Sofia Dias explica que a intenção foi mostrar aos mais novos a elasticidade do som e do movimento, que sons reais ou imaginados podem ser relacionados com um objeto.

"Os nossos trabalhos habitualmente têm elementos que podem ser apreendidos por crianças. Aqui, neste, a principal diferença talvez seja a duração. O espetáculo tem transições. Na verdade estamos apreensivos porque não sabemos bem como as crianças vão reagir. É um risco", admitiu a coreógrafa.

Ambos concordam que a oferta de espetáculos para a infância assenta mais na representação teatral, numa presença maior da palavra, e que ainda não há muitos trabalhos criativos como o de "Sons Mentirosos": "Temos visto que há um nicho de espetáculos com um experimentalismo muito grande", disse Sofia Dias.

"Sons Mentirosos" estará em cena de 8 a 18 de outubro, para escolas e famílias, e, na sessão do dia 17, haverá uma conversa com os artistas depois do espetáculo.

A série de performances "Arremesso", que tem vindo a ser criada desde 2011, "António & Cleópatra" (2014), de Tiago Rodrigues, "O que Não Acontece" (2018) e "O Lugar do Canto está Vazio" (2019), para a Companhia Maior, são algumas das criações assinadas por Sofia Dias e Vítor Roriz.

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