A diretora artística do Teatro Viriato, Patrícia Portela, explica que quem trabalha num teatro tem "a oportunidade rara de acompanhar os ensaios, os raciocínios dramatúrgicos, conhecer as opções que foram deixadas de fora" e "assistir a toda uma investigação e pesquisa" sobre temas interessantes. mas que "acabam por ficar de fora, ainda que impressos no trabalho final".

"Todas estas ramificações de um projeto, os estudos, as tentativas, os erros, são por vezes inacessíveis ao espetador e ficam no domínio dos estudiosos e especialistas. São essas múltiplas vozes, essas reflexões, que ajudaram a obra a crescer e a formar-se, essas visões do mundo e dos seus meandros, que queremos também partilhar neste 'Boca Livre'”, justifica.

O primeiro "Boca Livre", marcado para sábado, contará com a presença dos criadores de "A Fragilidade de estarmos juntos", nomeadamente Miguel Castro Caldas, António Alvarenga e Sónia Barbosa, que irão abordar "a questão da democracia, tendo como pano de fundo a construção deste projeto". A conversa terá moderação do jornalista Pedro Santos Guerreiro.

"A expectativa será de aproveitar essa conversa, esse momento, para refletir sobre aquilo que nos ocupa enquanto povo, sobre as fragilidades que estamos a encontrar mais recentemente no sistema em que vivemos, ao qual chamamos democrático", sublinha Patrícia Portela.

"Boca Livre" tem acesso gratuito através do SubPalco, o palco digital do Teatro Viriato no Youtube.

O Teatro Viriato conta que, desde 8 de fevereiro, Miguel Castro Caldas, António Alvarenga e Sónia Barbosa estão em residência artística no Teatro Viriato para desenvolver o espetáculo "A fragilidade de estarmos juntos".

A antestreia deste espetáculo estava marcada para sábado, no Teatro Viriato, mas não acontecerá devido ao contexto de pandemia e confinamento devido à COVID-19, mantendo-se a conversa Boca Livre.

Segundo o Teatro Viriato, este espetáculo aborda "os dilemas que surgem quando se vive casado com a democracia", propondo "um diálogo sobre temas atuais, complexos e estruturantes" relacionados com o futuro coletivo e individual: "a democracia, o liberalismo, o populismo e a (re)ascensão de modelos autoritários".

"Apesar de pensada há algum tempo, a criação deste espetáculo acabou por ser acelerada pela receção e pelo impacto público da peça 'Catarina e a beleza de matar fascistas', de Tiago Rodrigues", explica.

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