A organização do evento revelou esta quarta-feira, 16 de maio, o cartaz da Rock Street. Lillian Boutté, Antwerp Gypsy Ska Orkestra, Melech Mechaya, TJ Johnson, Rat Swinger, Cais do Sodré Funk Connection ou Cristian Reyes são alguns dos espetáculos confirmados.

“Pretendemos recriar o ambiente de Nova Orleães, quer através da cenografia, quer através dos espetáculos de música e da presença de artistas e músicos de rua que reflitam toda a vivência multicultural daquela cidade. Apesar de termos um ‘line up’ definido, a Rock Street vai ser um espaço onde os concertos intimistas vão ter sempre uma certa dose de improviso, com convidados de última hora e algumas ‘jam sessions’”, refere o diretor artístico da Rock Street, Bruce Leitman.

O ambiente na Rock Street vai ser alegre e divertido e o público pode encontrar, para além de concertos com artistas do mundo do ‘jazz’ e do ‘blues’, malabaristas, acrobatas, mágicos, homens estátua, cartomantes, caricaturistas e muitas outras surpresas. Terá também espaços comerciais como lojas, bares e restaurantes.

O cartaz da Rock Street é dedicado aos dois géneros musicais acima descritos e também à ‘world music’, com artistas nacionais e internacionais reconhecidos que vão surpreender todos os que passarem por esta rua cenográfica.

Mas a animação da Rock Street não fica por aqui. Além do Burlesco e de ‘performances’ de Lindy Hop, ambos muito característicos de Nova Orleães, haverá ainda músicos de rua itinerantes, como os Projecto Bug, Xaral's Dixie e The Dixie Gang, que vão chamar as pessoas dos outros pontos do recinto para a Rock Street.

Os artistas de ruas vencedores do Casting Street, que se realizou no dia 20 de abril na Rua Augusta, em Lisboa, serão contratados para atuar na Rock Street durante os cinco dias do evento.

Os artistas internacionais

Lillian Boutté

Em 1986, Lillian Boutté foi considerada a Embaixatriz Musical de Nova Orleães, sendo a segunda lenda do jazz a receber esta honra na história da cidade, depois de Louis Armstrong. Com mais de 15 anos de carreira e 17 álbuns de ‘jazz’, ‘pop’, ‘blues’, ‘soul’ e ‘gospel’, a cantora foi bem-sucedida na sua missão de transmitir a atmosfera única da cidade de Nova Orleães para uma audiência internacional. Lillian Boutté tem estado em digressão ao longo dos últimos 13 anos, com concertos e festivais em todo o mundo, e dela se diz que nasceu para a música. Foi atriz, cantora e dançarina e orgulha-se de ter trabalhado e de ser amiga de gigantes da música, como James Booker, Henry Butler, Denny Barker, Allen Toussaint e Dr. John, com quem produziu os álbuns “The Jazz Book” (1993) e “But…Beautiful” (1995). Com o pianista e cantor Christian Willisohn, gravou os álbuns “Lipstick Traces”, “Come Together” e “You´ve Gotta Love Pops”. Diversas críticas comparam Lillian Boutté com Bessie Smith, Aretha Franklin e Mahalia Jackson. Na Europa, Lillian, o seu marido Thomas L’Etienne e a sua banda “Music Friends” já têm uma larga legião de fãs. Internacionalmente reconhecida como uma das melhores cantoras de ‘jazz,’ ‘gospel’ e ‘blues’, a personalidade carismática, a voz deslumbrante e o amor pela música fazem de Lillian Boutté uma artista genuína. Os seus concertos, no segundo fim-de-semana do Rock in Rio-Lisboa 2012, vão proporcionar momentos inesquecíveis.

Antwerp Gypsy-Ska Orkestra

Os Antwerp Gipsy-Ska Orkestra identificam-se como uma família intercontinental. Com músicos provenientes da Bélgica, Sérvia, Chile e Argentina, a sua abordagem musical é aventureira, exclusiva e inovadora. O ‘drum n’ bass’, o samba e o ‘dubstep’ misturam-se com os ‘beats’ dos Balcãs e a eles acrescentam-se pinceladas de ‘ska’ rápido com incursões ao ‘hiphop’. O resultado de tanta multiculturalidade é uma fusão perfeita de ambientes, à qual é impossível ficar indiferente, sobretudo numa ‘performance’ ao vivo. É esta energia contagiante e esta miscelânea de encontros musicais que tem levado os Antwerp Gipsy-Ska Orkestra a marcar presença na generalidade dos grandes festivais europeus de ‘world music’. A banda tem dois álbuns editados – “Tuttilegal”, de 2007, e “I Lumia Mo Kher”, de 2010.

TJ Johnson

O músico TJ Johnson é considerado um dos mais carismáticos cantores de ‘jazz’ e ‘blues’ do Reino Unido, além de ser também reconhecido pela sua qualidade ao piano e na bateria. Um verdadeiro embaixador da ‘soul’, TJ canta canções de amores ganhos e perdidos, de vidas saudáveis e corruptas, canções de esperança e de desespero. Ultrapassando as fronteiras do ‘jazz’, ‘blues’, ‘soul’, ‘country’ e ‘gospel’, a música de TJ é influenciada por nomes sonantes, como Ray Charles, Dr John, Louis Armstrong, Johnny Cash, BB King, Nina Simone, Alberta Hunter, Frank Sinatra, Jimmy Witherspoon, entre outros. Além da sua voz, é também a sua maneira muito peculiar de estar em palco que cria uma atmosfera intimista, mas entusiasmante, que raramente se encontra equivalente.

Cristian Reyes

Este guitarrista de Santiago do Chile explorou, desde o início da sua carreira artística, distintas linguagens e estilos de música, desde a música ‘folk’ e popular até às manifestações de música mais moderna, como o ‘pop’, o ‘rock’ e o ‘jazz’. Ao longo dos últimos anos, Cristian Reyes trabalhou com diversos grupos musicais. Em 2011, editou o CD “Travesía de los enebros”, no qual deu a conhecer um novo estilo de fusão de música latina e de ‘jazz’. No concerto na Rock Street, o músico apresentará não só temas originais, como também versões de alguns compositores de fusão como Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, Chick Corea ou Keith Jarrett.

Bruce Henri & Convidados

Bruce Henri Leitman, músico nascido norte-americano com iniciação musical na Europa, é carioca por opção. Estabelecido no Rio de Janeiro desde os anos 70, é reconhecida a sua contribuição à música brasileira, já tendo tocado com uma miríade de artistas e músicos, de Gal Costa a Ney Matogrosso, de Tom Jobim a Herbie Hancock, de Paulo Sérgio Santos a Naná Vasconcellos. Para tirar maior proveito da sua temporada lusitana, Bruce Henri tira diariamente o seu chapéu de diretor artístico da Rock Street e dedica-se ao seu trio de contrabaixo, piano e bateria, convidando conceituados instrumentistas lisboetas e tocar ‘Jazz e Rhythm & Blues’, puxando para o estilo de Nova Orleães, a banda sonora da Rock Street 2012.

Jazz in Motown

Este espetáculo vai consistir numa homenagem à Motown Records, a conhecida editora que lançou grandes artistas, como Diana Ross & The Supremes. Com Jazz in Motown sobem ao palco Bruce Leitman, Zé Ricardo, músico, compositor e diretor artístico do Palco Sunset, e os Filhos da Judith, banda brasileira composta por Pedro Dias, Luiz Lopez e Alan Fontenele.

Os artistas nacionais

Melech Mechaya

Considerada como a primeira e mais proeminente banda portuguesa de música Klezmer, os Melech Mechaya formaram-se em 2006 com João Graça no violino, Miguel Veríssimo no clarinete, André Santos na guitarra, João Sovina no contrabaixo e Francisco Caiado na percussão. Em 2008, lançaram o EP “Melech Mechaya” e, em 2009, foi lançado o disco de estreia Budja Ba. O mais recente trabalho do grupo intitulado “Aqui Em Baixo Tudo É Simples” tem como convidados Mísia e Frank London, dos Klezmatics. Os Melech Mechaya atingiram alguma notoriedade, devido aos seus festivos concertos e à contagiante sonoridade Klezmer, inspirada pelas músicas cigana, árabe e balcânica, assim como pelo fado e pelo tango. Os seus espetáculos, que primam por serem interativos e eletrizantes, fizeram parte de importantes festivais de músicas do mundo, tendo inclusivamente feito a primeira parte do concerto de Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra, no Coliseu de Lisboa, em 2010.

Nobody’s Bizness

Os lisboetas Nobody’s Bizness surgiram em 2003 com o intuito de recriar as raízes dos ‘blues’, com origem nas margens do rio Mississippi, nos Estados Unidos. Dando uma nova roupagem a velhos 78 rpm de lendas como Robert Johnson, Tampa Red, Ida Cox, Alberta Hunter, Bessie Smith, Willie Dixon, Skip James ou Muddy Waters, a banda criou-lhes arranjos pessoais, transfigurados e atuais. Em 2006, editaram o EP gratuito “Ao Vivo na Capela da Misericórdia, Sines” e, em 2010, apresentaram o seu primeiro álbum de estúdio “It’s Everybody’s Bizness Now”, em que, para além das versões, a banda edita, pela primeira vez, temas da sua autoria, marcando assim o início de uma nova sonoridade e de uma nova vontade, com ‘blues’ novos cruzados com o ‘folk’ norte-americano, o ‘jazz’ e a música ‘country’.

Cais Sodré Funk Connection

É já uma referência da cena musical lisboeta. Os Cais Sodré Funk Connection nasceram no coração do bairro boémio que lhes dá o nome e foram a primeira banda residente do clube MusicBox. Apaixonados pelo ‘funk’ e pela ‘soul’, a banda dedica-se a recriar o som e o ambiente dos clássicos da Motown, Stax, Chess Records e outras editoras míticas das décadas de 60 e 70, com a dedicação e energia de uma verdadeira celebração. No seu conjunto, o grupo reúne elementos dos Cool Hipnoise, Spaceboys, Movimento, Orelha Negra, Cacique 97, banda Sérgio Godinho, entre outros, garantindo a sabedoria necessária à produção de um contagiante ‘groove’. Nos espetáculos, a banda realiza uma viagem pela história da música negra, recriando ao vivo alguns dos mais enérgicos momentos gravados em vinil por James Brown, Otis Redding, Etta James ou Ray Charles. Por outro lado, a banda revisita também clássicos da história do hip-hop, com atuações de ‘B-boys’ e ‘B-girls’, assim como improvisos de ‘rappers’ e os irresistíveis clássicos do ‘funk’. Neste momento, os Cais Sodré Funk Connection estão a finalizar o álbum de estreia, com novos originais, mas também com os clássicos que tornaram as suas noites do MusicBox das mais quentes de Lisboa.

Rat Swinger

Inspirados pelo génio criativo de Django Reinhardt, pai do “swing manouche”, os Rat Swinger começaram a ensaiar em março de 2011, tendo desenvolvido um repertório baseado numa seleção de canções dos anos 20 e 30. Reinventando as vocalizações da época e combinando-as com um suporte instrumental fortemente influenciado pelo «gypsy jazz», os Rat Swinger interpretam clássicos do início do século passado em formato acústico, recriando os ambientes musicais da sua época nos fumarentos ‘night clubs’ e ‘cabarets’ europeus. Influenciados pelo ‘swing’ americano, o grupo é composto por João San Payo (Peste & Sida), Ian Mucznik (Los Tomatos, Real Combo Lisbonense) e João Leitão (Irmãos Catita).

The Mingus Project

Este é um projeto que nasceu pela mão de Nelson Cascais e da sua vontade de homenagear uma figura incontornável do ‘jazz’ - o músico e compositor norte-americano Charles Mingus. A sua energia, intensidade e sonoridade levaram Nelson Cascais a decidir que seria contrabaixista de ‘jazz’. Com Diogo Duque (trompete), Ricardo Toscano (saxofone alto), Victor Zamora (piano) e Vasco Furtado (bateria), cumpriu o sonho de muitos anos e formou o The Mingus Project.

Onda Jazz Jam Sessions

No último dia de evento, a Rock Street vai contar com ‘jam sessions’ protagonizadas por diversos músicos que marcam habitualmente presença no Onda Jazz, um dos locais incontornáveis deste tipo de música em Lisboa.