
Eram dez e um quarto e já se sentia o burburinho impaciente que aumentava à medida que o espaço se compunha no que havia de se tornar numa sala quase cheia. O público, ansioso, chamava pela banda que tardava em aparecer, não fossem eles os rockeiros da música popular, com uma rebeldia assumida no novo look do vocalista.
A plateia, composta por crianças, jovens e graúdos, homens e mulheres, mostra a polivalência desta banda, que consegue agradar a todas as camadas com a sua música.
Eram já por volta das dez e meia quando a esperada banda entra em palco, começando a 'desbunda' total. Tocaram um total de dezoito músicas para uma audiência que não os desiludiu até à última nota. O espetáculo abriu com a Bomba-Canção, música de crítica social e política deste segundo trabalho musical. Não podia ter começado melhor. A linha da frente do público não parava um segundo, envolvida pelo compasso ritmado do tema.
O concerto de apresentação viajou por vezes ao álbum de estreia do grupo, bem conhecido por quem lá estava, adivinhando-se pela letra na 'ponta da língua'. Tão lindo, Os loucos estão certos e Combateforam algumas destas músicas que o público acompanhava incessantemente.
Dona Ligeirinha abriu espaço para apresentação dos três novos membros da banda, Manuel Pinheiro na percussão, Sérgio Pires no cavaquinho e guitarra elétrica e Márcio Silva na viola braguesa e voz.
Partiram para a Fronteira com sons suaves, acompanhados pelas palmas do público que corriam atrás da música, à medida que esta crescia com o avançar do tempo. Ficou caminho aberto para Siga a rusga e Bom Tempo,músicas de tal dinamismo e vivacidade que puseram todo o público a mexer.
Com músicas que dançam e saltam entre o rock e o popular, os Diabo na Cruz voltam ao palco para mais três músicas, tornando-se um final memorável de um concerto cheio de animação, movimento e boa música. Os loucos estão certos.. o rock popular existe, e pela reação do público, veio para ficar.
Texto: Isabel Cortez
Fotografias: Filipa Oliveira
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