“O Jazz em Agosto nasceu no CAM, foi veiculado pelo extinto Serviço Acarte, que marcou a vida cultural de Lisboa, e que foi fundado em 1983, por Madalena Perdigão”, recordou o responsável, recordando o Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte. Referindo-se ao concerto de quinta-feira, Rui Neves afirmou que “Maria João é uma cantora que tem evoluído e quer ir sempre mais além, trazendo agora um projeto, ‘Ogre’, em que há uma preponderância da voz e da eletrónica”.

No espetáculo de entrada livre, no anfiteatro da Fundação, Maria João sobe ao palco com João Farinha (fender rhodes e sintetizadores), André Nascimento (eletrónica), Júlio Resende (piano) e Joel Silva (bateria).

Meses antes do primeiro Jazz em Agosto (JeA), Maria João lançara o primeiro disco com o seu quinteto, seguindo-se, após o festival, o longa duração "Cem Caminhos".

A programação da 30.ª edição do Festival, que decorre de 02 a 11 de agosto, apresenta dez concertos no anfiteatro, um ciclo de cinema na sala polivalente do CAM e inclui a edição do livro “Partidas/Chegadas - Novos Horizontes no Jazz”, que reúne ensaios originais sobre 50 músicos que participaram no JeA, ao longo dos seus 29 anos, "músicos que são mais inquietos e mais criativos", rematou.

Os textos são da autoria de “três importantes críticos e pensadores do jazz”, a saber o canadiano Stuart Broomer, o escocês Brian Morton e o norte-americano Bill Shoemaker, havendo uma edição em português e outra em inglês da obra. Entre os músicos recordados estão Cecil Taylor, Evan Parker, John Zorn, Peter Brötzman, Sun Ra, Carlos Zíngaro e Rodrigo Amado.

Quanto ao cartaz deste ano, Rui Neves disse à Lusa que foram escolhidos “músicos que tenham contribuído para a identidade do Jazz em Agosto”, alguns que já atuaram em anteriores edições, mas, desta vez, apresentam-se com outros projetos.

O destaque da edição deste ano é para John Zorn, “músico americano dos mais prolíficos”, que assinala o 60.º aniversário, celebração a que o festival se associa, apresentando os três projetos do compositor e saxofonista com companheiros da sua carreira, nomeadamente Marc Ribot, Jamie Saft, Trevor Dunn, Kenny Wollesen, Joey Baron, Cyro Baptista e Ikue Mori.

A abertura do JeA, no dia 02 de agosto, é marcada pela estreia em Portugal do projeto The Dreamers/John Zorn@60, com John Zorn, na direção, composto por Marc Ribot (guitarra elétrica), Jamie Saft (teclados), Trevor Dunn (contrabaixo e baixo elétrico), Kenny Wollesen (vibrafone), Joey Baron (bateria) e Cyro Baptista (percussão).

No JeA apresentam-se também “dois grupos emblemáticos de John Zorn, The Dreamers, explorando uma via 'lounge', e o Electric Masada, sintonizado com os primórdios do jazz elétrico”, explicou Rui Neves. O “baterista histórico Max Roach”, que se apresentou no JeA de 1995, é evocado com a estreia em Portugal do projeto “Drumming GP plays Max Roach M’Boom”.

O jazz escandinavo, que tem marcado presença regular no JeA, estará presente este ano com o Trio Elephant9, acrescido do guitarrista Reine Fiske, os The Thing, trio que se estreou em Portugal na edição de 2004, e que este ano atua “em dimensão ampliada de septeto”, e o The Thing XXL, em que “se destacam Peter Evans e Terrie EX, e do qual não há qualquer registo discográfico”.

O trompetista Peter Evans, que se estreou em Portugal no JeA de 2009, apresenta este ano, em estreia europeia, o seu novo octeto, “onde a eletrónica tem papel determinante, e que será mais um novo passo deste músico cuja projeção internacional continua a crescer”.

Anthony Braxton, “músico veterano, plenamente reconhecido pelo seu contributo inovador, poli-instrumentista”, que atuou em 2000 e 2006, apresentará um projeto recente, “dando ênfase a uma certa música de câmara”, o Falling River Music Quartet.

O concerto de encerramento “é uma associação que o trompetista de Chicago Rob Mazurek imaginou: unir dois trios que dirige - São Paulo Underground e Chicago Underground - e convidar o lendário músico, companheiro de John Coltrane na sua derradeira fase, a mais radical, o saxofonista Pharoah Sanders, constituindo um sexteto inusitado que se estreou mundialmente com grande efeito, no ano passado”, afirmou Rui Neves.

O cinema vai marcar presença em nove sessões, que incluem o “Ciclo John Zorn: Treatment for a film in fifteen scenes”, uma síntese de quatro filmes produzidos por Zorn, que tem como ponto de partida um guião escrito pelo músico, e que foi apresentada, no ano passado, no New York Film Festival.