As primeiras músicas – Night of the Hunter e Search and Destroy - prometiam um espetáculo único, de ritmo intenso na Praia do Cabedelo, em Vila Nova de Gaia, com o vocalista Jared Leto enérgico e comunicativo, até que os norte-americanos aproveitaram a indefetível audiência para gravarem imagens para a promoção do seu próximo single.

Houve longos momentos sem música e Leto chegou a repetir frases de apresentação de City of Angels (próximo single nos EUA) para o seu camaraman, sempre muito solicitado pelo vocalista, quebrando o ritmo do concerto - foram igualmente várias as vezes que anunciou a "novidade" de que voltam a Portugal, ao Pavilhão Atlântico, a 29 de outubro.

Os 20 minutos de Leto a solo em palco, numa fase do espetáculo mais acústica, manteve o ritmo mais morno, para voltar a crescer e ser intenso no final, com os fãs em delírio, embora sem hipóteses a qualquer “encore”.

O muito público jovem permitiu tudo ao expansivo vocalista, que se multiplicou nos habituais elogios a Portugal, mas não fez a vontade às inúmeras jovens suas fãs que se dividem entre o platónico à sua imagem e o culto à banda de Los Angeles.

“São a melhor banda de sempre. (O Jared Leto) É o homem mais bonito do mundo. Espero que tire a t-shirt para toda a gente ver os seus ótimos abdominais e que arrasem a noite”, diz Inês Bessa, 17 anos, secundada à distância pelas amigas.

O dia em que o público jovem claramente dominou os três dias lotados do Marés Vivas (75.000 passaram pelo Cabedelo) provou que Rui Veloso também é um artista transversal a várias gerações.

“Não somos fãs do 30 Seconds to Mars, viemos cá ver o Rui Veloso. Os nossos pais ouvem as musicas deles e nos também. É a nossa onda”, dizem as amigas Maria, Laura, Inês, Lara e Francisco, entre os 15 e 17 anos que se apressam a cantar “Não há estrelas do céu”, sendo rapidamente “engolidos” pelo entusiasmo de outros jovens, desconhecidos, que cantam o mesmo tema.

O cantor portuense revisita os seus múltiplos êxitos e embala a noite até aos Klaxons, banda inglesa de indie rock, mas muito próximo do eletrónico, aumentarem o ritmo.

Não provocaram o mesmo entusiasmo, excetuando quando Jamies Reynolds cantou o conhecido Golden Skans.

A noite abriu com os portugueses Virgem Suta que mostraram ter já público conhecedor do seu trabalho.

A 11.ª edição do Marés Vivas terminou em euforia e o sucesso do pleno de três noites esgotadas (total de 75.000 “festivaleiros”), sendo que quinta-feira reinaram Smashing Pumpkins e Bush e sexta-feira o DJ David Guetta e James Morrison.

@Lusa