A HISTÓRIA: Joe Gardner é um professor de música cuja verdadeira paixão é a música jazz, mas quando está prestes a concretizar o seu sonho tem um encontro inesperado com 22, uma alma perdida.

"Soul - Uma Aventura com Alma": disponível no Disney+ desde 25 de dezembro.


Crítica: Filipa Moreno

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Para onde vai quem morre? Qual é o sentido da vida? E a alma, existe ou não? Depois de “Coco”, a Pixar volta a remexer nas perguntas que guardamos num lugar distante.

Não é difícil imaginar uma criança a fazer estas perguntas. Mas o novo filme da Pixar, “Soul - Uma Aventura com Alma”, é para adultos. E é aquilo de que precisávamos neste final de 2020. Se ainda não percebemos o valor das pequenas coisas – mergulhar os pés no mar, ver as folhas a cair nos passeios, – aqui está um filme para nos obrigar a olhar para o essencial.

Sem teses religiosas e com a leveza do costume, a Pixar constrói um mundo antes e depois da morte. Aqui, as almas recebem traços de personalidade antes de mergulhar para a vida na Terra. As que já viveram, entregam-se ao “depois”. Como em “Divertida-mente”, há trocadilhos com palavras que ganham vida: aqui, existe um canto escuro habitado pelas almas perdidas.

Joe navega por este mundo a tentar mostrar à alma 22 que a vida na Terra vale a pena. Na verdade, quer tomar-lhe o lugar e voltar ao seu corpo, no exato dia em que tem finalmente a oportunidade de pisar o palco com uma grande estrela do jazz.

E, como no jazz, há muitas coisas nesta história. Joe herdou do pai a paixão pelo jazz e, talvez, o talento. A mãe insiste que deve dedicar-se ao ensino. A vocação de Joe parece ser ensinar, ao tornar-se mentor da alma 22, mas nunca se apercebe da influência que tem nos seus alunos. E há ainda um interesse amoroso que não chega a aparecer.

Joe é o protagonista, mas a meio da história a sua jornada dá lugar à autodescoberta da alma 22. Entretanto, encontramos a mãe rigorosa, a aluna talentosa e o barbeiro feliz. No mundo além da vida, umas personagens burocráticas bidimensionais multiplicam-se e há também uns hippies, os que sabem como voltar à Terra.

A história baralha-nos, como na profusão de detalhes de um improviso de jazz. Depois, um dos músicos agarra-nos a atenção. Se “Soul - Uma Aventura com Alma” fosse mais simples, talvez não conseguisse falar para adultos. Às vezes, é preciso apanhá-los distraídos, chicoteá-los com o brilhantismo de um solo de piano num bar mal iluminado.

Brilhante é também a forma como apela ao nosso imaginário. Tem traço das Nova Iorque de Spike Lee, aflições metafísicas de Woody Allen e cenas da vida da comunidade afro-americana. A banda sonora saiu das mãos de Trent Reznor e Atticus Ross (Nine Inch Nails). E nas vozes encontramos uma constelação de nomes sonantes, desde Jamie Foxx a Tina Fey, Angela Bassett, Daveed Diggs e Questlove.

Por fim, a qualidade de animação da Pixar tem cada vez mais realismo. Basta ver de perto os dedos alongados de Joe a saltar nas teclas do piano para acreditar que tudo isto é real e tem soul...

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