Debra Winger desistiu do filme "Liga de Mulheres" por causa da entrada de Madonna para o elenco.

O filme abordava a história verídica do que aconteceu em 1943, quando a liga de basebol profissional dos EUA perdeu as suas maiores vedetas, ausentes em combate na Segunda Guerra Mundial. Decididas a não deixar quebrar esta grande tradição, um grupo de mulheres resolveu despir os aventais e pegar nos tacos para criar algo único: uma Liga de Mulheres de basebol americano.

A atriz de "Oficial de Cavalheiro" e "Laços de Ternura" três vezes nomeada para os Óscares era para ter sido Dottie (o papel que acabou por ir para Geena Davis), mas quando a realizadora Penny Marshall escolheu Madonna, sentiu que estava num projeto muito diferente daquele para o qual tinha assinado contrato e treinado durante três meses com a equipa da basebol Chicago Cubs.

Nas suas palavras, "um filme Elvis", numa referência aos filmes de Elvis Presley no cinema: superficiais, reconfortantes e caricaturais.

"O estúdio concordou comigo porque foi a única vez que recebi um "pay-or-play no meu contrato. Por outras palavras, recebi o meu salário [pay] apesar de não ter feito o filme [pay] e isso é muito difícil de conseguir em tribunal", contou numa entrevista ao jornal britânico Telegraphy [acesso pago].

Na sua preparação, Debra Winger recorda que conheceu as verdadeiras jogadoras Liga de Mulheres de basebol americano e não achou que o filme de 1992 lhes tivesse feito justiça: "Por mais divertido que tenha sido, não se fica a pensar 'Uau, aquelas mulheres fizeram aquilo', Fica-se com algo mais ou menos do género 'Aquilo é verdade?".

Debra Winger também não achou que outras atrizes, com exceção de Lori Petty, tenham treinado o suficiente para parecerem credíveis, mas diz que Geena Davis se saiu "bem" e "certamente que não estou chateada com nenhuma delas".

Em relação ao trabalho e talento de Madonna, a resposta é curta e esclarecedora: "Acho que a sua carreira no cinema falou por si".

Oficial e Cavalheiro

A atriz, que apenas trabalhou pontualmente a partir de 1995 por falta de desafios e achar "bastante aborrecido" interpretar esposas e mães, falou de outros temas durante a entrevista, deixando por exemplo opiniões sobre o movimento #MeToo.

"Acho que ainda não está resolvido", acrescentando que Hollywood "ainda está em convulsão".

"As coisas estão a mudar. De certa forma, isto foi ridiculamente longe demais. Parte disso é que sou mãe de três jovens homens brancos, portanto estou a olhar para as coisas como eles as estão a viver, e coisas que as minhas amigas de origens bem diferentes estão a passar e [o movimento] ainda não encontrou o seu ponto estável onde há espaço para todos", defendeu.

"Sou a pessoa errada a quem perguntar. Encontrei sempre solução. Isso é privilégio? Na altura, não pareceu porque senti que estava em situações bastante abusivas, mas era minha responsabilidade aguentar, fazer-me forte", acrescentou.

Como exemplo, recordou o momento em que a tentaram convencer a tomar comprimidos de retenção de água para ajudá-la a perder peso durante a rodagem de "Oficial de Cavalheiro" (1982) porque parecia "inchada" em cenas que já tinha filmado.

"Era tão jovem que nem sabia o que era, apenas devolvi e disse 'Não os vou tomar'. Parecia-me tão ridículo. Mas outra pessoa poderia realmente ter sucumbido. Simplesmente senti que era [suficientemente] forte para dizer não a esses cretinos", recordou.

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