
O Festival de Cinema de Veneza começa na quarta-feira, estendendo a passadeira vermelha a Julia Roberts e George Clooney, numa série de estreias mundiais na celebração luxuosa no arenoso Lido.
Uma comitiva de primeira linha — de Jude Law a Emma Stone — chegará de táxi aquático para a abertura do festival, atraindo centenas de fãs ansiosos para ver as estrelas.
Entre os cineastas aclamados na 82.ª edição do festival estão Werner Herzog, Jim Jarmusch, Kathryn Bigelow, Gus Van Sant e Park Chan-wook, que regressa ao evento após 20 anos. Herzog e a atriz norte-americana Kim Novak vão receber o Leão de Ouro de Carreira.
Veneza, um dos destaques do circuito cinematográfico internacional, exibirá filmes de grande orçamento — como "The Smashing Machine", de Benny Safdie, protagonizado por Dwayne "The Rock" Johnson como um lutador envelhecido — e obras independentes mais pequenas.
Apesar do cenário glamoroso, o debate sobre a guerra de Gaza já começou, com um protesto planeado para sábado no Lido.
Um coletivo de profissionais do cinema italiano, "Venice4Palestine", pediu no domingo que o festival assuma uma "posição clara" e apoie as ações dos artistas contra as táticas de Israel na guerra desencadeada pelos ataques do Hamas em 2023.
"Em Veneza, todos os holofotes estarão voltados para o mundo do cinema, e todos nós temos o dever de divulgar as histórias e vozes daqueles que estão a ser massacrados, mesmo com a indiferença cúmplice do Ocidente", dizia uma carta aberta assinada por realizadores e atores, incluindo Matteo Garrone e Alice Rohrwacher.
O grupo pediu que o festival removesse os convites aos atores Gerard Butler e Gal Gadot — que aparecem em "In the Hand of Dante", de Julian Schnabel —, que, segundo o grupo, apoiam "ideológica e materialmente" as ações israelitas.
Em resposta, o festival afirmou que sempre foi um espaço "de debate aberto" e citou a inclusão, neste ano, do filme mais recente do tunisino Kaouther Ben Hania, "The Voice of Hind Rajab", ambientado em Gaza.
O filme conta a história real de uma menina palestiniana de seis anos morta em janeiro de 2024 pelas forças israelitas, juntamente com seis familiares, enquanto tentavam fugir da Cidade de Gaza, utilizando a sua gravação de áudio real a implorar por ajuda aos serviços de emergência.
Outro filme que pode ser bastante impactante, à medida que a guerra na Ucrânia se arrasta, é "The Wizard of the Kremlin", de Olivier Assayas, no qual Jude Law interpreta o presidente russo Vladimir Putin durante a sua ascensão ao poder.
“Aniki Bóbó”, primeiro filme de Manoel de Oliveira, vai ser exibido num programa dedicado a “obras-primas restauradas” com curadoria do próprio diretor artístico do festival, Alberto Barbera.
Plataforma de lançamento para os Óscares

A megaestrela de Hollywood Roberts fará a sua estreia em Veneza na sexta-feira com "After the Hunt", de Luca Guadagnino, sobre um caso de agressão sexual numa prestigiada universidade norte-americana. O filme estará em cartaz fora de competição.
Após encantar os fãs de Veneza na passadeira vermelha no ano passado, Clooney regressa para apresentar "Jay Kelly", produzido pela Netflix e dirigido por Noah Baumbach, interpretando um ator venerado que enfrenta uma crise de identidade. Adam Sandler interpreta o seu empresário.
Vários vencedores em Veneza, como "Nomadland" e "Joker", conquistaram Óscares posteriormente, tornando o festival italiano uma plataforma de lançamento fundamental para o sucesso no cinema.
Os títulos de streaming da Netflix e da Amazon também têm escolhido cada vez mais o evento para as suas estreias mundiais.
O realizador de "Sideways", Alexander Payne, duas vezes vencedor do Óscar, lidera o júri deste ano, encarregado de entregar o Leão de Ouro de Melhor Filme a um dos 21 principais concorrentes no dia 6 de setembro, e que inclui a atriz brasileira Fernanda Torres, a atriz chinesa Zhao Tao, o cineasta francês Stéphane Brizé, a cineasta italiana Maura Delpero, o cineasta romeno Cristian Mungiu e o cineasta iraniano Mohammad Rasoulof.
Extraterrestres, Frankenstein

Obras de Assayas, Guillermo del Toro, Yorgos Lanthimos e Kathryn Bigelow competem pelo prémio principal do festival, que abre na noite de quarta-feira com uma história de amor de Paolo Sorrentino, frequentador assíduo de Veneza.
Sorrentino, mais conhecido por "A Grande Beleza", uniu-se novamente ao colaborador de longa data Toni Servillo para "La Grazia", ambientado na sua Itália natal.
Os gregos Lanthimos e Stone — que trabalharam juntos nos vencedores de Óscares "A Favorita" e "Pobres Criaturas" — juntam-se para o filme de ficção científica "Bugonia", sobre uma poderosa empresária sequestrada por pessoas que acham que é uma extraterrestre.
"Frankenstein" é uma interpretação de grande orçamento do clássico pelo cineasta mexicano del Toro, com Oscar Isaac.
O mais recente de Bigelow ("00:30 Hora Negra", "Estado de Guerra") é "A House of Dynamite", um 'thriller' político protagonizado por Idris Elba.
O compatriota americano Jarmusch estreia na programação principal de Veneza com "Father, Mother, Sister, Brother", a que chamou de "um filme engraçado e triste", protagonizado por Cate Blanchett, Adam Driver e Tom Waits, frequentador assíduo do cineasta.
Incluído na competição principal está também o mais recente documentário do italiano Gianfranco Rosi, "Sotto le Nuvole", uma ode a preto e branco a Nápoles.
Os documentários fora da competição incluem um perfil do estilista Marc Jacobs, de Sofia Coppola; o filme da ex-vencedora do Leão de Ouro Laura Poitras, sobre o jornalista de investigação americano Seymour Hersh; e um perfil da falecida cantora britânica Marianne Faithfull, de Jane Pollard e Iain Forsyth.
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