Com um apelo à defesa da democracia, da diferença e do diálogo, e uma crítica ao "governo fascista" de Jair Bolsonaro, Júlia Murat agradeceu o prémio, recordando que o anterior e único Leopardo de Ouro conquistado por uma longa-metragem do cinema brasileiro data de 1967, quando distinguiu "Terra em Transe", de Glauber Rocha, e o país se encontrava sob ditadura militar (1964-1984).

"Uma ditadura que durou mais 17 anos", recordou Murat, desejando "sinceramente, que tenhamos agora uma história diferente" para contar. "Espero que sejamos capazes de parar a loucura deste governo fascista", afirmou Julia Murat.

"Espero que este prémio ajude a nossa sociedade a compreender que precisamos de defender a democracia, mas também a diferença e que temos de apoiar o diálogo", declarou a realizadora.

"Filme de coragem", como o júri o definiu, "Regra 34" toma o nome de uma brincadeira dos primórdios da internet, quando se simulavam diferentes "regras" e a 34 dizia que "tudo o que existe no mundo tem uma versão pornográfica".

No filme, Simone, uma jovem advogada negra de 28 anos, que pagou a faculdade com sessões de sexo online, candidata-se a um cargo de defensora publica, deixando o passado para trás. Porém, acaba por se debater com os seus próprios fantasmas, entre a pressão social e o seu próprio desejo.

Paralelamente, "Regra 34" aborda também o direito penal no Brasil, o moralismo que lhe está subjacente.

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