“Álvaro Siza Vieira, um dos maiores arquitetos portugueses de todos os tempos e um dos mais premiados internacionalmente, vencedor do Prémio Pritzker, aceitou o convite para assinar o projeto de requalificação do número 148 da Rua das Carmelitas, trazendo até à Livraria Lello o trabalho já em curso com a família Pedro Pinto noutros ícones do património da cidade e da região”, anunciou hoje a Livraria Lello.

No âmbito do 115º aniversário do edifício onde está hoje a Livraria Lello e cuja inauguração remonta a 13 de janeiro de 1906, a presidente do Conselho de Administração da Livraria Lello, Aurora Pedro Pinto, afirma que o projeto de requalificação do número 148 da Rua das Carmelitas no Porto, e contíguo ao edifício da Livraria Lello é “a realização” de um sonho que significa um “investimento não só na Livraria Lello, mas também na cidade”.

O novo projeto de Siza Vieira vai ser “um edifício com alma própria”, “dedicado à cultura” e com “diferentes valências, contribuindo para aumentar a oferta cultural e turística da cidade”, explica fonte oficial da Livraria Lello, recordando que em 2008, a Lello foi considerada no jornal The Guardian como uma das mais belas do mundo, e que em 2011, a editora de guias de viagens Lonely Planet refere que aquele espaço dedicado aos livros estava entre as melhores livrarias do mundo e que era “uma pérola de arte nova”.

“Com a criação de um novo espaço dedicado à cultura, a Livraria Lello pretende oferecer uma experiência mais qualificada a leitores e visitantes, aumentar a oferta cultural, partindo do livro, tendo alma e um programa próprios, e que, paralelamente, por passar a estar ligado à Livraria Lello, facilite a circulação de pessoas no interior do número 144 da Rua das Carmelitas”.

Em declarações à Lusa, Antero Braga, antigo proprietário da Lello e que vendeu os seus 25% em 1995, recordou que a Livraria Lello se chamou Sociedade Prólogo Livreiros SA entre 1994 e 2015 e que, por essa razão, a Livraria Lello tem apenas 104 anos com aquele nome sendo apenas o edifício a celebrar o 115º aniversário.

“Foi essa Sociedade [Prólogo Livreiros SA], que tirou a livraria do charco”, recorda o ex-proprietário Antero Braga, referindo que a livraria estava integrada no grupo Lello, mas que durante 21 anos se chamou Sociedade Prólogo Livreiros.

Ainda no âmbito das celebrações do 115.º aniversário da inauguração do edifício da Lello, a Livraria anuncia que adquiriu o espólio da centenária Coimbra Editora e Gráfica Coimbra, que fechou portas em 2020, exatamente no ano em que completava 100 anos de existência.

“Entre o espólio da Coimbra Editora e da Gráfica Coimbra (…) encontram-se primeiras edições de obras de Miguel Torga, bem como publicações de Marcelo Caetano e de António de Oliveira Salazar e obras de Vergílio Ferreira e Eugénio de Andrade. A aquisição destes livros insere-se num projeto mais vasto que a Livraria Lello tem vindo a desenvolver, no sentido de preservar o património livreiro”.

Em 1906 é inaugurado, pelos irmãos Lello, a 13 de janeiro, no número 144 da Rua das Carmelitas, o atual edifício da Livraria Lello, projetado por Francisco Xavier Esteves.

A inauguração decorre num ambiente de figuras de relevo na época, entre os quais o escritor Guerra Junqueiro, o diretor de O Comércio, Bento Carqueja, o escritor Júlio Brandão e Aurélio Paz dos Reis, precursor do cinema em Portugal.

Em 1919, a razão social do estabelecimento, até então Livraria Chardron, é alterada para Livraria Lello & Irmão, Lda e ainda hoje, na fachada da Livraria Lello continua a figurar o nome “Chardron”, em homenagem ao responsável pelo seu espólio.

Entre 1920-1950, a Livraria Lello é uma das principais responsáveis pela exportação e importação de literatura, em Portugal.

Em 2015, a livraria cria um sistema de 'voucher' com a entrada dos visitantes a ter um custo que é totalmente dedutível na compra de livros, facto que fez aumentar as vendas de livros, alcançando a missão definida.

Atualmente a Livraria Lello tem atividade editorial, lançou a coleção de clássicos The Collection e publica edições exclusivas de alguns dos maiores clássicos da literatura universal.

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